Depois do vulcão, sede olímpica espera quebra de recorde

Organizadores tiveram de fretar avião para garantir a viagem das principais estrelas das provas de fundo

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

O tiro de largada da Maratona de Londres, hoje, a partir das 5 horas (de Brasília), será "apenas" a última etapa de uma epopeia que começou no início da semana. Afinal, para os organizadores da prova, não foi nada fácil reunir as principais estrelas da disputa na capital londrina - a erupção do vulcão Eyjafjallajoekull, na Islândia, quase impediu que quenianos, etíopes, marroquinos e o brasileiro Marilson Gomes dos Santos chegassem ao continente europeu.

A direção da prova não poupou esforços para reunir os corredores em uma das disputas mais estreladas dos últimos anos. Fretou um avião que percorreu quase 9 mil quilômetros para levar fundistas como o campeão olímpico Samuel Wanjiru, que estava no Quênia, para Londres. Chegaram na quinta-feira, depois de dois dias de viagem.

Mas, a contar pela expectativa dos amantes do atletismo, os US$ 170 mil (R$ 300 mil) gastos para a operação serão facilmente esquecidos. Espera-se, afinal, que a cidade olímpica veja a quebra do recorde mundial - em setembro de 2008, Haile Gebrselassie correu os 42,195 km de Berlim em 2h03min59. O etíope não estará na prova, assim como o queniano Martin Lel, lesionado.

Unidos venceremos. A esquadra do Quênia é favorita para o título. É formada por Wanjiru (que obteve o recorde da prova, 2h05min40, na vitória do ano passado), pelo campeão mundial Abel Kirui e por Duncan Kibet, que tem o segundo melhor tempo da maratona no mundo (2h04min27, obtido na Maratona de Roterdã de 2009).

Com fortes marcas individuais, os quenianos já avisaram que vão fazer jogo de equipe. "Correremos como um time até os últimos cinco quilômetros", admitiu Wanjiru.

Adauto Domingues, que treina o brasileiro Marilson, aposta que sairá, deste pelotão, o novo recorde mundial. "A prova está dividida em dois grupos. O primeiro é muito rápido, com seis atletas, e daí deve sair a quebra (do recorde)."

Para completar o grupo estão o etíope Tsegaye Kebede (bronze na Olimpíada de Pequim e no Mundial de Berlim), o marroquino Jaouad Gharib (vice-campeão olímpico em 2008) e o eritreu Zersen Tadese, recordista mundial da meia-maratona.

Todos os atletas (menos Tadese, que nunca terminou uma maratona), já correram na casa das 2h05. "Eles são a prova de uma incrível evolução da maratona nos últimos 12 anos", diz Adauto, lembrando que o brasileiro Ronaldo da Costa tornou-se recordista mundial quando correu 2h06min05 em 1998.

Melhor marca. Marilson voltou a Londres para baixar seu melhor tempo - 2h08min57, de 2007. Deve correr junto com o segundo pelotão de elite. O brasileiro, bicampeão da Maratona de Nova York, explica sua opção. "Largar no primeiro pelotão poderia significar "quebrar" na corrida. Correr com eles é suicídio", brinca o brasileiro. "Eles vão para o recorde mundial e eu quero melhorar minha marca."

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