Depois dos Jogos de Londres, CBV fará mudanças radicais no vôlei de praia

Atletas não poderão mais definir seus parceiros e terão despesas pagas

LEONARDO MAIA/ RIO, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h12

A era do individualismo no vôlei de praia acabou. Durante o anúncio das quatro duplas que representarão o Brasil nos Jogos de Londres, o presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ary Graça, prometeu mudanças drásticas na modalidade. A partir de agora, os atletas não terão mais o poder de definir seus próprios parceiros, seus métodos de trabalho, suas estratégias e objetivos. Em contrapartida, a CBV vai arcar com todas as despesas para a manutenção das parcerias e os custos de viagem e competição.

Talita e Maria Elisa, Juliana e Larissa, Emanuel e Alison, Ricardo e Pedro Cunha vão defender as cores nacionais na Olimpíada londrina. Até por uma questão diplomática e para evitar atritos às vésperas dos Jogos, Ary Graça decidiu por manter as duplas atuais, mesmo com a alteração imposta de que a vaga obtida no ranking olímpico pertence à confederação nacional e não mais a uma parceria específica.

A CBV vai adotar para o vôlei de praia conceito semelhante ao que utiliza nas quadras. Haverá uma seleção brasileira de praia, com uma comissão técnica (a ser definida) convocando vários atletas e decidindo quem jogará com quem. Se por um lado isso representa uma perda da independência, significa também uma segurança financeira para os jogadores e um desgaste emocional menor.

"No vôlei de praia, nós cuidamos de cada aspecto da nossa preparação, das viagens, do dinheiro. Isso suga muito da nossa energia", avalia Juliana. "A mudança não é um retrocesso. Vejo como progresso. É bom ter uma hierarquia para o atleta não achar que é um rei", comenta.

"Esse novo método aumenta muito o apoio ao atleta. Além do que temos de pensar no crescimento do esporte", opina o veterano Ricardo, que vai disputar sua quarta Olimpíada ao lado do calouro Pedro Cunha.

Ary Graça também se utiliza da questão comercial para defender a modificação: "Em cinco anos o vôlei de praia vai explodir no mundo inteiro".

Para Londres, o dirigente teve o cuidado de evitar maiores conflitos e optou por manter as duplas atuais, mas já avisou que depois dos Jogos não adianta chorar. "Vamos decidir o que é melhor para o Brasil. Não se pode pensar individualmente", disse. "Mas para isso tenho de bancar tudo para eles. Queremos que os meninos e meninas pensem apenas em treinar e jogar. Deixem o resto com a gente."

Ary Graça refuta a crítica de que o Brasil passa por uma entressafra de talentos no vôlei de quadra. "O que não falta é renovação, não falta gente boa. Ganhamos tudo há 12 anos. O nível de exigência é altíssimo. Ninguém aceita outro resultado que não seja a vitória."

Ary é candidato à presidência da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) nas eleições de setembro, nos Estados Unidos.

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