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Dérbi antecipado

A programação do Brasileiro marca Palmeiras x Corinthians para o próximo sábado, véspera da decisão da corrida para a presidência do país. Mas não se iluda, amigo, pois o dérbi começa hoje à tarde, no Pacaembu mesmo e no Beira-Rio. Palestrinos e corintianos têm jogos complicados nesta rodada, só que os resultados do domingo darão o tom para o choque entre ambos, dentro de seis dias. Afinal, ainda agora é o clássico que tem mais charme entre os paulistas, que reúne histórias memoráveis ao longo de quase um século de disputas.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2014 | 03h01

Como? Acha que exagero? Não. Claro que há importância na partida que o Palmeiras faz com o Santos e na visita do Corinthians do Inter, em Porto Alegre. Mas, pelas circunstâncias do campeonato, pelo momento que cada um dos dois vive, tudo converge para logo adiante. O duelo poderá selar a salvação de um e a danação de outro.

Vamos dar uma espiada na situação de cada um deles. O Palmeiras andava acabrunhado, mortinho da silva, a namorar firme com o rebaixamento. Parecia com uma saudade da Série B, curtia nostalgia de levantar de novo a taça da divisão de Acesso. Era sapatada atrás de sapatada, coisa de dar pena - ou raiva, a depender do ponto de vista. Em resumo: no ano do centenário a nave alviverde embicava para o fundo.

E não é que se esboça reação, quando a torcida já preparava o espírito para nova perambulação pelo purgatório? A rapaziada de Dorival Júnior despertou do pesadelo, venceu três - três! Botafogo, Chapecoense, Grêmio - em seguida, abandonou a zona de descenso, e ostenta confiança rara nos últimos tempos. Encorpou e aprumou.

A salvação está longe, mas não se mostra objetivo inalcançável. Mesmo com limitações, a equipe ganhou cara confiável. Para tanto, foi importante o retorno de Fernando Prass e de Valdivia. Os dois acrescentam confiança e talento. A defesa ficou mais ajustada, o meio-campo se equilibrou com o jovem Victor Luís por lá, e no ataque Henrique empurra bolas para a rede com a mesma regularidade com que desperdiça chances. Receita simples, sem mistério, para salvar a honra, às vésperas da inauguração do novo Palestra.

O confronto com o Santos funcionará como termômetro para o autocontrole do Palmeiras. Se ganhar, engata uma quarta rumo ao meio da classificação e chega embalado para pegar o Corinthians. Dorival não precisa de truque, para este domingo. Só pedir para os jogadores repetirem a marcação, a velocidade, a insistência esbanjadas na semana passada diante do Grêmio.

Evidentemente, não topará com peixe morto. Ao contrário. O Santos reforçou a autoestima com os 5 a 0 no Botafogo pela Copa do Brasil. Além disso, Enderson Moreira encontrou uma formação barulhenta para o ataque, com Gabriel, Geovânio e Robinho. Pelo visto, Leandro Damião amargará banco. O problema santista se concentra na instabilidade na Série A. Quando se imagina que dará o salto de qualidade, emperra, como nos 3 a 0 em Criciúma. Por isso, o foco na Copa.

O Corinthians caminha em direção contrária à do Palmeiras. Embora esteja na parte superior da tabela, a poucos pontos do G-4, o ambiente ficou nublado no Parque, após os 4 a 1 para o Atlético. A surra no Mineirão doeu, expôs deficiências no elenco e no sistema de jogo, tornou frágil a situação de Mano (perto de colher novo fracasso em sua trajetória recente) e botou medo na torcida.

O time que desafia o Inter está com a confiança abalada. Tecnicamente não é inferior ao rival; só que a pressão conta e, se não for controlada, provoca estragos. Mano não tem muito o que mexer e aposta tudo em Guerrero, Elias, o jovem Malcom e torce para que reviva a solidez defensiva destruída pelo Galo. Para aumentar a complicação da tarefa alvinegra, o jogo é essencial para o Inter sustentar o sonho de superar o Cruzeiro na arrancada final pelo título. Empate já é para festejar.

A rodada de hoje pode virar prenúncio de trovoada para o sábado. Até que uma chuva seria bem-vinda.

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