Dérbi de dar gosto

Corinthians x Palmeiras jamais deve ser tratado com vulgaridade e ligeireza. Diminuir a importância do dérbi paulista constitui crime contra o significado de 95 (logo mais, 96) anos de história, uma falta de respeito com dois dos clubes mais importantes do país, além de escancarar ignorância futebolística incontornável. Este sempre será confronto especial, como comprovou o empate de ontem à tarde no Pacaembu. Ambos honraram a expectativa das torcidas, com empenho, suor, talento, arte e alternância no placar, até os 2 a 2 finais.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2013 | 02h04

O roteiro da edição mais recente de duelo quase centenário seguiu a tradição de oferecer chance de renascimento para o time que anda em baixa. No caso, o Palestra. A turma de Gilson Kleina superou desconfiança e desentrosamento para encarar adversário afinado, que vive momento extraordinário e ainda a saborear a conquista do mundial no Japão. O que se desenhou, no início, como perspectiva de surra e nova humilhação, por muito pouco não se inverteu para desaguar em vitória de lavar a alma. O empate também foi bom.

O Corinthians largou como manda o figurino para quem está embalado: com praticamente todos os heróis de 2012 em campo, não teve dificuldade para aproveitar a limitação verde e impor-se. A marcação firme, o meio-campo com os habituais pilares atentos (Ralf, Paulinho, Danilo, Jorge Henrique), mais Emerson afiado desembocaram em domínio, posse de bola, oportunidades importantes, duas carimbadas na trave (Jorge Henrique e Guerrero) e o gol de Emerson com apenas 18 minutos.

O Palmeiras assustou-se com a imponência alvinegra? De jeito nenhum, e esse foi um dos méritos. A resposta veio com o trabalho de formiguinha de Wesley, Márcio Araújo, Souza, Vilson, a tropa designada pelo treinador para conter os multicampeões do lado de lá. E deram conta do recado, com contragolpes rápidos, mesmo sem finalizar bem.

O prêmio pela postura vibrante veio aos 29, no cruzamento de Wesley que Vilson desviou de cabeça, sem que Cássio não pudesse sequer esboçar o gesto de levantar os braços e defender. Um momento marcante no clássico, a volta do parafuso, pois o Palmeiras a partir dali acelerou o ritmo, ficou esperto nas roubadas de bola e só não virou porque Wesley abusou do direito de ser fominha. Mesmo assim, foi ele quem serviu Vinicius, no segundo tempo, para os 2 a 1, numa falha enorme do gigante Cássio.

A cadência agradável se manteve, o Palmeiras agia como o franco-atirador atrevido a cutucar o favorito para ver o que iria acontecer. E esteve perto de festejar a proeza de segurar a vantagem. Daí entrou em ação o diferencial que hoje o Corinthians ostenta e que se chama banco. Tite resolveu mudar, e acertou no alvo: Romarinho no lugar de Alessandro e Pato na vaga de Guerrero injetaram fôlego e ânimo novos no ataque. Não foi por acaso que deles nasceu a igualdade derradeira. Nessa hora, Kleina deve ter ficado com um pouco de inveja do colega.

O resumo da ópera: foi um clássico gostoso de se ver, à altura da fama dos times. Para o Corinthians, valeu como prévia para a estreia na Libertadores. Para o Palmeiras, um empurrão na autoestima e na reconstrução.

Autoridade? No final do primeiro tempo de Ponte x Santos, Artur e Neymar se estranharam, bateram boca, um toca no rosto do outro. Enfim, tolas provocações de jogo. Luiz Flávio Oliveira resolveu expulsá-los. Nessas horas, prefiro árbitro europeu, que dá bronca, amarelo e segue em frente.

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