Derrota complica caminhada brasileira

Após perder para a França na estreia, time não consegue passar pela Rússia e precisa agora vencer a Austrália

AMANDA ROMANELLI, ENVIADA ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h04

O futuro da seleção feminina de basquete começa a se complicar nos Jogos Olímpicos de Londres. Depois da derrota para a França na estreia, ontem a equipe voltou a perder, desta vez para a Rússia, por 69 a 59. Agora, com três jogos ainda por realizar, não resta outra alternativa ao time a não ser vencer para continuar sonhando com as quartas de final.

Claramente incomodadas com a difícil situação no torneio, as jogadoras brasileiras apresentaram um discurso ensaiado para mostrar que a reação é possível. Depois do jogo, a armadora Adrianinha, a pivô Érika e as alas Chuca e Karla foram na mesma toada e evocaram um suposto início de campanha ruim no Mundial de 1994, na Austrália, quando o País levou a inédita medalha de ouro.

Para elas, o torneio começou com duas derrotas. Mas, na verdade, o time que tinha Paula e Hortência estreou com vitória e perdeu suas duas partidas durante a fase de classificação, que teve seis jogos.

Mas, regressões históricas à parte, o principal problema da seleção brasileira tem sido a incapacidade de definir as partidas. Jogou diante de dois adversários mais fortes, teve chances de fechar o jogo e desperdiçou as oportunidades.

"O grupo está levando os jogos de igual para igual, mas precisa acreditar no momento de fechar a partida", definiu o técnico Luis Cláudio Tarallo. "Contra a Rússia, diminuímos os erros, diminuímos as precipitações, mas chega o momento e não conseguimos definir a partida."

Final problemático. O último quarto de partida tem sido o mais problemático para o basquete feminino brasileiro. É quando a equipe se "desliga" do jogo e deixa o adversário impor a diferença para a vitória.

"Temos perdido a nossa confiança nos últimos minutos. Aconteceu a mesma coisa no primeiro jogo", disse a pivô Erika, estrela solitária da equipe ontem no jogo contra as russas. Cestinha da partida, com 15 pontos, a brasileira apanhou 18 rebotes, enquanto todo o restante do time pegou 23.

Na terceira partida, que será decisiva para que o Brasil se mantenha na briga por uma vaga na próxima fase (passam quatro das seis equipes), a seleção enfrenta a Austrália, vice-campeã olímpica nos Jogos de Atenas, em 2004, e nos de Pequim, em 2008.

"Será um jogo difícil, mas quase ganhamos delas em Lille", relembrou Tarallo, sobre o último dos quatro amistosos contra as rivais - as brasileiras perderam todos. "Uma vitória muda toda a nossa situação na tabela", completou.

Érika tenta manter o otimismo, apesar da situação complicada da equipe nos Jogos. "Não estamos mortas. O nosso grupo é muito difícil, e a Austrália também é uma equipe dura. Mas podemos surpreender."

A questão é que as australianas também precisam de uma vitória para buscar a classificação. Ontem, antes do jogo entre Brasil e Rússia, as vice-campeãs olímpicas perderam para a França, líder do grupo. Mas venderam caro a derrota: a partida foi para a prorrogação e acabou em 74 a 70.

BASQUETE FEMININO

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