Derrota encerra torneio paralelo

O Atlético-PR encerrou o campeonato paralelo disputado pelo São Paulo. Entre um revés e outro, entre um Atlético e outro, foram oito vitórias e um empate, num ritmo muito forte para uma concorrência instável, justamente no período mais complicado da competição, com mercado agitado, pouco treino e muito jogo. A sequência de bons resultados levou o time do pé da tabela de classificação ao G-4, com disposição para tomar a liderança do Palmeiras. Mas para que isso fosse possível, era preciso vencer na Arena da Baixada, onde os números não são nada animadores. Os tabus são criados pelos resultados e lembrados incansavelmente pela mídia até que os jogadores passam a acreditar que eles expressam a verdade do confronto. Em 12 partidas na Arena, o São Paulo perdeu oito e empatou quatro. Mesmo quem não dá muita bola para esse tipo de coisa se intriga. Com a vitória, a turma de Ricardo Gomes mudaria o rumo dessa história. Além de alcançar o Cruzeiro de 2003 em quantidade de triunfos consecutivos, chegaria para o confronto contra o Palmeiras em condições de roubar a primeira posição da equipe de seu ex-comandante. Seria o clássicos dos clássicos, uma pequena decisão num campeonato repleto delas, como Palmeiras e Internacional tiveram no sábado. Hernanes fez falta, mas a ausência do volante, que tem jogado bom futebol, não é explicação para o tropeço. Contra o Sport, a vitória foi resultado da superação, da persistência, no final de um segundo tempo defensivo, bombardeado pelo adversário, embebido no desespero da zona do rebaixamento. Na quarta-feira, parte dessa história se repetiu. Depois de um bom primeiro tempo, de controle do jogo e de posse de bola, a tranquilidade desapareceu na afobação do Fluminense, outro time do fundão da classe, que sempre toma coragem depois de levar o primeiro gol. É a senha e a sina do Flu.Ontem, em Curitiba, Hernanes fez muita falta, pois é dele que saem algumas das principais jogadas da equipe, geralmente subindo desmarcado para o ataque. Mas a ausência do volante não serve para explicar mais um erro de postura do time. Afinal, se o grande mérito do clube é ter um bom elenco, ele não deve ser enaltecido nas vitórias e contestado nas derrotas. O gol de Paulo Baier, aos 41 minutos do segundo tempo, destruiu os planos de quem já considerava o empate um excelente resultado. Dentro de suas limitações, o Atlético-PR jogou bem, soube se comportar diante de um adversário que vinha colecionando ótimos resultados. Comandando pelo interminável Paulo Baier, o time melhorou muito com a contratação de Antonio Lopes.Os resultados de São Paulo e Palmeiras alteram o cenário do clássico. Além de barrar um concorrente na disputa pelo título, o time de Muricy retoma a confiança antes do grande jogo, onde sabe que será muito exigido.Com dois times provavelmente no sistema 3-5-2, o São Paulo é melhor pelos lados do campo, setor onde o Palmeiras ainda precisa da ajuda de Cleiton Xavier, problema para o confronto, e de Diego Souza, o sujeito que decide quando o conjunto não funciona. Jean e Júnior César são superiores à dupla Wendell e Armero, que tem mais contribuído para o afunilamento do jogo do que para criar soluções ofensivas. Vai ser um grande clássico.

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