Derrotados na Maratona só reclamam

No futebol, muitas vezes o time que perde coloca a culpa na arbitragem, no automobilismo é um erro de estratégia da equipe, no basquete a falta de sorte em determinado arremesso e assim por diante. O certo é que, no mundo esportivo, dificilmente existe o reconhecimento ao ganhador. E na Maratona de São Paulo não poderia ser diferente: tanto no masculino quanto no feminino.Entre os homens, o terceiro colocado da prova, Diamantino Silveira dos Santos, preferiu deixar de lado a comemoração para criticar e protestar sobre a fórmula usada pelos corredores da equipe Pão de Açúcar, que, segundo ele, beneficiou Vanderlei Cordeiro de Lima de maneira irregular. "Ele deveria ser eliminado da prova, pois um competidor o ?carregou? até o quilômetro 25. Em maratonas internacionais isso é proibido", protestou o brasileiro, referindo-se à estratégia usada por Vanderlei e o companheiro Daniel Lopes Ferreira, especialista em corridas até 20 km, que ditou o ritmo de ambos até pouco mais da metade do percurso.Só que Diamantino esqueceu já ter usado o mesmo artifício. No ano passado, ele correu em função de sua mulher, Marizete de Paula Rezende, que chegou em primeiro lugar na Maratona de São Paulo. Neste domingo, sem ajuda, ela nem figurou entre as dez primeiras.Vanderlei rebateu as críticas. "Ele disse isso porque terminou em terceiro", disse. "Se o que fizemos foi ilegal, pior foi o dele em 2001, um homem ?carregando? uma mulher."A chilena Erika de la Fuente, terceira colocada no feminino, reclamou que as brasileiras Maria Zeferina Baldaia e Márcia Narloch correram o tempo todo com homens a seu lado. "É difícil, acho que a prova só deveria ter mulheres." Zeferina e Narloch até concordaram, mas usaram da ironia para responder. "Por que ela não correu, então, no nosso ritmo?", perguntou Zeferina. "Se ela é tão boa, deveria estar junta com a gente", disse Narloch.

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