Desafio diferente

Enquanto a Ferrari vinha mal, a chance de ver o F-2012 andar um pouco melhor estava nas pistas de baixa velocidade. Agora a situação é outra. Após dois excelentes resultados em pistas com diferentes características, mas ambas velozes (Silverstone e Hockenheim), não vai ser fácil superar os carros de McLaren, Red Bull e Lotus naquele que é o circuito permanente de mais baixa velocidade do mundo. Mas, por ter sido quem escolheu a estratégia que o levou a liderar 90% da corrida de Silverstone e também aquela que garantiu a pole position em Hockenheim, melhor deixar o problema para o mago Alonso resolver.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h08

Em Hungaroring o tempo que separa o primeiro do décimo no grid costuma ser menos de um segundo. Portanto, qualquer decisão errada hoje na classificação pode custar muito caro. O calor esperado na Inglaterra e Alemanha deu as caras na Hungria. Antes de Budapeste, fui dar uma olhada na Londres olímpica e também por lá encontrei dias de sol.

Discretamente decorada, Londres segue sua vida normal, que corre paralela aos Jogos Olímpicos. Além do trânsito ainda mais caótico nas ruas do centro por conta das faixas destinadas exclusivamente aos carros que estão a serviço das delegações esportivas, o que há de diferente é o esforço dos ingleses em receber bem não apenas os atletas, mas os visitantes em geral. Não é comum ouvir do policial que libera a sua entrada no país frases como "desfrute Londres, que está maravilhosa no verão !''

Já em Budapeste o céu aberto não é uma promessa até domingo. Ontem mesmo a chuva deu o primeiro aviso de que estará rondando Hungaroring, provavelmente chegando mais perto no domingo. E se vier, diz a meteorologia, vem pra valer. Uma razão a mais para conseguir um bom lugar no grid. Eu, particularmente, gosto do calor daqui, mas se a chuva vier para ajudar, como já fez no treino de ontem, que terminou com Bruno em 3.º e Massa em 4.º, que venha.

Ainda sobre a punição de Vettel pela ultrapassagem sobre Button no domingo passado, quando eu contrariei as opiniões dos companheiros Galvão e Burti, quero dizer que a superfície de asfalto na área de escape é usada em várias outras pistas, principalmente em Spa-Francorchamps, após a curva lenta de La Source, desde a largada. Em outras pistas, este ano mesmo Hamilton e Schumacher já ganharam posições assim. No caso de Vettel, a intenção era passar dentro dos limites da pista, mas foi legalmente empurrado por Button, que defendia a posição.

Se Vettel insistisse em manter o traçado, provavelmente aconteceria o acidente. Ou ele tirava o pé e desistia de ganhar uma posição ou continuava acelerando, como se exige de um bom competidor. Admito que, no rigor com que os comissários têm cumprido a regra, houve motivo para punição porque ele terminou a manobra fora da linha branca que delimita a pista. Mas não teriam feito nada se Button não tivesse agido rápido no rádio pedindo protesto da McLaren. Os comissários poderiam ter sido igualmente rápidos, exigindo que ele devolvesse a posição. Seria mais justo do que a punição de 20 segundos, que levou à perda de oito pontos. Desproporcional à infração cometida. Esses oito pontos podem valer um campeonato.

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