Geraldo Tavares/DC
Geraldo Tavares/DC

Desapropriações provocam revolta em Cuiabá

Medida, com o objetivo de viabilizar obras de infraestrutura para o Mundial, afetará comércio e atingirá 3 mil empregos

Fátima Lessa, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2011 | 00h00

Cerca de 300 locatários de imóveis comerciais localizados na Avenida Tenente Coronel Duarte, região central de Cuiabá, realizam desde o início da semana protestos contra as desapropriações que a Agência da Copa 2014 (Agecopa) deve realizar no local. A avenida foi escolhida como o principal corredor das obras de infraestrutura para a Copa. Nela deve ser instalado o principal corredor para o sistema da linha de ônibus de trânsito rápido, o BRT que ligará o aeroporto Marechal Cândido Rondon, na cidade de Várzea Grande, à região do CPA em Cuiabá.

A presidente da Associação dos Moradores do bairro Centro-Norte, Francisca Lopes Xavier, disse que a notícia das desapropriações sem indenizações para os locatários caiu como uma "bomba". Segundo ela, estavam previstas indenizações apenas para os proprietários. Os comerciantes reivindicam indenizações justas sobre o Fundo do Comércio, sobre as benfeitorias e sobre o lucro cessante. "Sabemos que as desapropriações são inevitáveis, mas exigimos respeito. Não estamos contra a realização da Copa em Cuiabá. Estamos contra a falta de respeito. Queremos indenizações necessárias para sair e ter um lugar para alugar", declarou.

A Avenida Tenente Coronel Duarte, apesar de localizada na região central, abriga lojas comerciais de pequeno e médio porte - desde botecos, papelarias a lojas de roupas esportivas. Será a maior área de desapropriações na cidade. São mais de 300 imóveis antigos, não tombados. Desse total, cerca de 90% estão alugados para os comerciantes. Há alguns que trabalham no local há mais de 30 anos.

Os comerciantes acreditam que as desapropriações provocarão problemas sociais graves. "Com certeza muitos ficarão desempregados", disse Dilma Gaião, da Associação dos Empresários Locatários da Prainha. De acordo com dados da associação, o comércio do local gera três mil empregos diretos.

Uma grande preocupação dos empresários é com a especulação imobiliária. "Não existem imóveis para alugar", disse a empresária Iara Nunes, dona de uma papelaria há 35 anos na avenida. Antes do anúncio da Copa em Cuiabá, os valores de imóveis de pequeno porte na avenida giravam em torno de R$ 1 mil a 3 mil. Hoje, os valores subiram mais de 500%. "Imóveis antigos e pequenos estão com aluguéis entre cinco a oito mil reais", disse Xavier. "Temos direito a indenizações justas." A mobilização dos comerciantes locatários surpreendeu a diretoria da Agecopa que tão logo soube das manifestações abriu um canal de negociações com os locatários.

Apesar de ter a certeza de que as desapropriações seriam realizadas, a Agência ainda não tem noção de quem realmente sairá e qual será o valor dessas indenizações. Segundo a assessoria de imprensa da Agecopa, esse valor só poderá ser conhecido quando todos os projetos estiverem sido entregues e todas as avaliações terem sido realizadas.

Do orçamento de R$ 1 bilhão para as obras, há previsão de recursos para indenizações. O secretário extraordinário de apoio institucional às Ações da Agecopa e PAC, Djalma Sabo Mendes, disse que "as desapropriações ocorrerão dentro do que a Constituição Federal preconiza".

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