Desconstrução de um ídolo

No início deste ano, o cenário parecia perfeito para que Paulo Henrique Ganso se tornasse um verdadeiro herói santista. Depois de quase sete meses recuperando-se de uma delicada cirurgia no joelho, o jovem craque voltaria ao time, no qual reencontraria o amigo, parceiro e não menos fora de série Neymar. Como se não bastasse, ainda teria a seu lado no meio-campo o experiente e eficiente Elano. Pronto, o Santos não só manteria o brilhantismo da temporada passada como acrescentaria experiência à equipe. Era ou não era o contexto ideal para que Ganso explodisse para o mundo? Pois é, não foi.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2011 | 00h00

Surge, então, a inevitável pergunta: o que aconteceu para que esse roteiro não desse certo? A resposta me parece relativamente simples: Ganso não tem mais interesse em jogar na Vila.

Até aí, tudo bem. Afinal, o jogador, como qualquer outro profissional, tem o direito de escolher onde quer trabalhar. O equívoco, me parece, está na forma como o jogador e o clube se comportaram nessa novela.

Ganso e seu estafe deslizaram ao usar o caso de Neymar como referência para pressionar a diretoria a mudar o contrato. Vale lembrar que, enquanto o meia se recuperava da cirurgia, fato que naturalmente criou desconfiança sobre seu futuro e a consequente desvalorização, o atacante era assediado com uma proposta milionária do Chelsea. Não tem jeito, trata-se de uma lei de mercado. Na maioria das vezes a valorização de um profissional se dá quando um concorrente tenta contratá-lo.

Independentemente disso, a diretoria do Santos ainda lhe fez uma oferta baseada no projeto apresentado a Neymar (aumento salarial, plano de carreira etc). Ganso não aceitou o aumento da multa rescisória, pois dificultaria a sonhada negociação com um grande clube europeu. E como não conseguiu tudo do jeito que desejava, o jogador, não sei se mal orientado, optou pelo confronto.

Sim, confronto. Foi dessa forma que algumas de suas atitudes foram encaradas pela direção do clube. Por exemplo, jantar com o ex-presidente Marcelo Teixeira (inimigo político da atual administração) ou participar de uma reunião na mesma sala onde estava o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Precisava? Já sei, os politicamente corretos vão dizer: "ele tem o direito de jantar e conversar com quem bem entender". É verdade, mas o que está em discussão aqui não é o direito, mas o bom senso.

Tudo indica que a negociação com Ronaldo pode ser muito útil para Paulo Henrique. Não só pela receita, mas sobretudo pelos conselhos que o Fenômeno pode dar.

Peroba. Mentiras sempre existiram no futebol. São comuns as histórias de treinadores que obrigavam determinado atleta a simular uma contusão apenas para confundir o adversário. Nos bastidores esse expediente também tem se tornado recorrente. O que preocupa, nesse caso, é a naturalidade do gesto. Se é para "proteger" o clube, não há limites para a cara de pau.

TROCA DE PASSES

"Preciso e sensível o texto sobre a polêmica em torno do jogador de vôlei Michael, publicado na

coluna do dia 7 de abril. Parabéns!"

SOLANGE H. LIMA

SALVADOR-BA

"Não sou preconceituoso, mas não precisa defender o homossexualismo"

RAUL MANTOVANI COSTA

RIO DE JANEIRO-RJ

Nota da coluna: Cada leitor que tire suas conclusões.

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