Descontrole e críticas na despedida

Jogadores deixam campo sob vaias e reclamam do desempenho do time

Giuliander Carpes, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

O roteiro que vinha sendo escrito há meses - o time de Muricy Ramalho venceu apenas uma partida das últimas oito - teve o seu desfecho melancólico ontem à noite no Morumbi. O São Paulo acusou o golpe. Pela primeira vez a insatisfação manifestada fora de campo, principalmente pelos três principais atacantes da equipe, foi sentida no gramado. Nervosos, os antes frios jogadores são-paulinos perderam a cabeça, apelaram até para a violência e saíram cabisbaixos, eliminados e com dois atletas expulsos, Eduardo Costa e André Dias.Foi a segunda eliminação seguida em confrontos mata-mata dentro do Morumbi em situações semelhantes. Antes, em abril, os são-paulinos precisavam de vitória de 1 a 0 diante do Corinthians, na semifinal do Paulista, para seguir adiante. Perderam por 2 a 0, assim como ontem. "Eliminação é sempre uma coisa muito dura", lamentou o lateral Zé Luis. "Virão as críticas, as cobranças, mas a gente precisa ter cabeça fria para se recuperar no Brasileiro mais uma vez."O São Paulo mostrou apatia, mesmo precisando de uma vitória para se classificar. "Foi um jogo diferente", disse Zé Luis. "Perdemos um jogador no primeiro tempo e ficou difícil. O Cruzeiro é uma equipe muito qualificada. Quando fez o gol, acabou com o jogo."As críticas já eram sentidas logo na saída de campo e vinham do próprio grupo. "A gente tinha que correr mais, se doar mais", reclamou Borges. E ecoaram pelas arquibancadas. Vaias, ofensas à equipe - que foi chamada de "sem-vergonha" - e insultos ao centroavante Washington, que foi o algoz dos são-paulinos no ano passado e não conseguiu se redimir com os torcedores tricolores este ano. Até os muros do Centro de Treinamento foram pichados."A gente perdeu o Paulista, perdeu a Libertadores. O torcedor tem que reclamar mesmo. A gente fez muito pouco pelos investimentos do clube", reconheceu o técnico Muricy. "Os mesmos que gritaram ?sem-vergonha?, gritaram ?é campeão? com o título brasileiro do ano passado", disse André Dias.Mesmo com nova eliminação, Muricy segue no comando da equipe.Tem contrato até o final de 2010, sem multa rescisória, mas o presidente Juvenal Juvêncio garante sua permanência. Já terá que apagar incêndio grande até domingo, dia de clássico contra o Corinthians, no Pacaembu, pelo Brasileiro, a nova prioridade. ESTUDIANTES NA SEMIFINALO Defensor não conseguiu repetir a façanha de bater um argentino em sua própria casa para fazer uma almejada semifinal uruguaia na Libertadores. Ontem, a equipe do Uruguai foi batida novamente por 1 a 0 pelo Estudiantes, em La Plata, gol de Benítez. O time de Verón jogará contra o Nacional, que eliminou o Palmeiras, por uma vaga na decisão contra um dos dois brasileiros classificados, Grêmio ou Cruzeiro.

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