Guillaume Horcajuelo/Efe
Guillaume Horcajuelo/Efe

Desertor cubano do Pan de 2007 defende o Catar no Mundial de Handebol

Rafael Capote abandonou a delegação do seu país no Rio e rodou até chegar ao Oriente Médio, onde é destaque da equipe no torneio

Vitor Marques, enviado especial, O Estado de S. Paulo

30 de janeiro de 2015 | 09h00

Rafael Capote tinha 19 anos quando estreou, em 2007, pela equipe de handebol do São Caetano. Poucos meses antes, ele havia sido um dos três atletas cubanos que desertaram durante o Pan do Rio de Janeiro. "Minha vida pode melhorar."

Aos 27, ele agora é um 'catari' e defende a seleção do país árabe. O Catar enfrenta a Polônia nesta sexta-feira por uma vaga inédita na final do Mundial de Handebol. A vida de Capote, definitivamente, mudou. 

Quando abandonou a delegação cubana no Rio de Janeiro, ele tinha 300 dólares no bolso. Com esse dinheiro, conseguiu pagar um táxi que o levou a São Caetano, onde jogava seu amigo cubano Michel. Em 2013, quando já atuava na Espanha, o El Jaish pagou sua rescisão contratual no valor de 300 mil euros.


Capote decidiu desertar a delegação de seu país por motivos, segundo ele, apenas profissionais. Ele tinha um sonho: iniciar a carreira de jogador de handebol no Brasil como um trampolim para a Europa. "Eu queria jogar, ter meu salário e mudar de vida", disse à época.

O jogador atuou no handebol brasileiro por pouco tempo. Já em 2009 conseguiu ir para a Itália. Mas Capote se destacou, no entanto, na liga espanhola, jogando pelo Naturhouse La Rioja, onde atuou duas temporadas, até 2013.

Capote, jogador alto e de boa força física, era um dos artilheiros do time espanhol. Indiretamente, o caminho para o Catar começou na Espanha. Em 2013, Valero Rivera, espanhol, foi contratado pela seleção do Catar para ser o técnico da equipe no Mundial de 2015.

Ribera passou a observar jogadores que tinham potencial para jogar pela seleção do Catar. Capote foi um dos escolhidos. O 'projeto mundial' estava no início.

Capote e outros jogadores da seleção do Catar estariam recebendo altos salários para atuar pelo país. Além disso, ganhariam uma bonificação por vitória no Mundial.

O Catar 'contratou' todos os 16 jogadores convocados para o Mundial, exceto o goleiro Saric, que atua no Barcelona. Os outros 15 jogadores atuam na liga de handebol do Catar.

O time de Capote, o El Jaish, é a base da seleção catari: oito jogadores atuam no clube. Rivera, que vive em Doha há 20 meses, recebe, segundo publicações europeias, 800 mil euros por ano.

Esse é um dos motivos que Rivera e jogadores da seleção do Catar evitam abordar o tema naturalização de atletas nas entrevistas. Capote não fala com a imprensa nem mesmo na zona mista, local onde jogadores dão entrevistas após as partidas.

* O repórter viajou ao Mundial a convite da Federação Internacional de Handebol

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