Desespero domina McLaren

Com medo de punição, escuderia inglesa manda até carta de desculpas ao presidente da FIA

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 00h00

Primeiro Ron Dennis, sócio e diretor da McLaren, demitiu seu diretor esportivo, Dave Ryan, por ter orientado Lewis Hamilton a mentir para os comissários do GP da Austrália, no dia 29 de março, em Melbourne. Depois, o próprio Hamilton pediu desculpas públicas por seu comportamento, embora destacasse ter obedecido ordens de Ryan. Na sequência, diante da iminente punição severa da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), dia 29, em Paris, na reunião extraordinária do Conselho Mundial, um acordo foi costurado nos bastidores. Dennis saiu da direção da McLaren em troca de uma pena bem menor. Ontem houve nova cartada da equipe: Martin Whitmarsh, substituto de Dennis, confimou no circuito de Bahrein ter enviado uma carta ao presidente da FIA, Max Mosley, pedindo desculpas pelo ocorrido.   Acesse o canal especial e confira o grid de largada"Enviei, sim, carta a Max Mosley, mas antes do dia 29 não me é possível adiantar nada", disse. "Estamos colaborando com a FIA." Hamilton deixou Jarno Trulli, da Toyota, ultrapassá-lo porque havia ganhado sua posição enquanto o safety car estava na pista na prova de Melbourne. A equipe o orientou, por rádio, para evitar uma eventual punição. Como ocorreram ultrapassagens no período do safety car, Hamilton e Trulli foram chamados à torre para uma reunião com os comissários. Trulli confirmou que ultrapassou Hamilton porque o piloto da McLaren deslocou o carro para a direita e quase parou. Mas Hamilton e Ryan viram que, se dissessem não ser verdade, o punido seria Trulli. E foi o que ocorreu. O italiano perdeu o terceiro lugar por ter ultrapassado Hamilton em regime de safety car. Quando os comissários ouviram a gravação da conversa entre Hamilton e o pessoal da McLaren, ficou claro que houve a ordem para Trulli passar. O que significava que a história do italiano da Toyota é que procedia. Hamilton perdeu a terceira colocação pela exclusão da McLaren do GP da Austrália. E, agora, a equipe terá de explicar a razão de ter mentido para os comissários. COMPLICAÇÕESAs implicações do que vai ocorrer em Paris são grandes. A Mercedes é a maior sócia da McLaren, com 40% de participação. A McLaren já havia sido excluída do Mundial de 2007 por ter espionado a Ferrari, e ainda pagou a maior multa da história do esporte, US$ 100 milhões. A imagem da Mercedes foi arranhada. Agora, menos de dois anos depois, a McLaren expõe a montadora alemã a novo desgaste profundo. Não é de se excluir a separação entre Mercedes e McLaren. Até a associação das equipes, Fota, está tentando convencer Mosley da não necessidade de uma punição que comprometa os interesses da Fórmula 1, diante das ações do time para evitar se envolver em novos casos escusos.Nos treinos de ontem no Bahrein, Hamilton fez apenas o 11º tempo. Felipe Massa ficou em 16º lugar e Kimi Raikkonen foi o 18º.

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