Desfecho

A grande maratona do Campeonato Brasileiro de 2008 está chegando aos metros finais. O São Paulo dobrou a esquina na liderança e, salvo um tropeço, que seria estarrecedor, deverá cruzar a linha de chegada em primeiro lugar. O Grêmio, que me surpreende por ainda ter chances na disputa, torce para que os deuses do esporte estejam dispostos a aprontar alguma traquinagem. Pena, para os gremistas, que os deuses parecem gostar do São Paulo.Nas últimas semanas, tudo que poderia dar certo para o tricolor paulista, deu certo - e o que poderia dar errado até que não saiu tão errado assim. Há duas rodadas, o São Paulo venceu o Vasco num jogo cheio de riscos, cujo desfecho poderia perfeitamente ter sido um empate. Já o Grêmio, depois de abrir o marcador no Barradão e ir para o vestiário com vantagem, sofreu o gol de empate no início do segundo tempo, perdeu os nervos e depois o jogo, de goleada, para o Vitória. Na rodada passada foi a vez de os gaúchos virarem e golearem seu adversário, o Ipatinga, enquanto os paulistas, que estiveram perto de perder em casa para o Fluminense, acabaram chegando ao empate. Tudo graças à falta de pontaria de Washington e à pontaria involuntária de Borges, que, meio de canela, chutou o que viu e acertou o que não viu: o ângulo direito de Fernando Henrique. O pontinho solitário fez enorme diferença. Isso porque um empate no Serra Dourada seria algo mais simples de ocorrer do que uma derrota são-paulina. Impossível dar Grêmio? Claro que não. No futebol, como não me canso de dizer, não há o que não haja. Mas mesmo com muita "mala branca", termo da hora no universo futeboleiro tupiniquim, será difícil o Goiás reunir vontade e talento suficientes para bater o São Paulo. Especialmente se for um São Paulo diferente do time apático e um tanto inseguro que não conseguiu dar à sua torcida o gosto de uma volta olímpica em casa, no último domingo. O que nem todo mundo observa, no entanto, é que, mesmo com uma eventual débâcle dos comandados de Muricy em Goiânia, não é certo que a taça - não a das bolinhas, porque essa virou uma novela interminável - vá parar no Rio Grande. Isso porque o Grêmio terá pela frente o Atlético-MG, time que já está garantido na Sul-Americana de 2009, mas que, da mesma forma que o Goiás, pode ter recebido uma fornida mala branca.Yo no creo en malas blancas, pero que las hay, las hay. É compreensível que dirigentes, técnicos e jogadores digam que jamais aceitarão incentivos extras para cumprir o dever de dar o máximo durante todas as partidas - mas quem sou eu para supor que não existem acertos de bastidores, financeiros ou não, entre as agremiações envolvidas nas disputas? Nessas horas, o melhor que os jogadores dos clubes que brigam pelo título têm a fazer é pensar mais em fazer a sua parte, vencendo seus jogos, do que nas manobras do submundo.Uma última ponderação: se é eticamente questionável o apoio financeiro para um time fazer nada mais do que o seu dever de buscar a vitória em todas as partidas, o que dizer dos times que dão férias aos seus principais jogadores antes do final da temporada? O Corinthians fez exatamente isso, perdeu o jogo e uma longa série invicta para o América-RN - e quem pagou o pato foi o pobre Marília, que, apesar de ter vencido seu jogo, com a vitória dos potiguares caiu para a Série C. Espero que nenhum time envolvido em jogos capazes de interferir no rebaixamento da Série A copie o mau exemplo corintiano.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.