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Desilusão

O Palmeiras comemora, em 2013, 20 anos de um dos títulos mais expressivos de sua história. Em 12 de junho de 1993, goleou o Corinthians por 4 a 0, ganhou o Paulistão e encerrou jejum de mais de 16 temporadas sem conquistas. Acima das vitórias estava o futebol ofensivo, vibrante e dinâmico exibido por jogadores notáveis como Roberto Carlos, César Sampaio, Edmundo e Evair.

Eduardo Maluf, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2013 | 02h03

A maior alegria do palmeirense hoje é reviver o passado, olhar a galeria amontoada de troféus e falar com orgulho dos craques que vestiram o uniforme alviverde desde os tempos em que o clube carregava o nome de Palestra Itália. O Alviverde imponente parou no século 20 e não mais ressurgiu. Continua a ser uma agremiação poderosa, com uma das torcidas mais numerosas do País, sem perder a força de sua respeitada camisa. Mas nos últimos 12 ou 13 anos passou a ser um clube grande representado por times pequenos. Dentro de campo, não põe mais medo em ninguém.

Recentemente, o leitor palmeirense José Antonio Braz Sola me escreveu para defender a diretoria na negociação de Barcos, um dos poucos que se salvaram em 2012. "O clube está quebrado e a diretoria não tinha o que fazer", justificou. Concordo.

Ao Palmeiras, hoje, não basta reconstruir o Palestra Itália. É preciso reconstruir o próprio clube. E o primeiro passo está na reforma da gestão econômica, comprometida por negócios ruins como a contratação de técnicos caríssimos (Luxemburgo, Muricy, Felipão...) e jogadores polêmicos e discutíveis - Valdivia, Kleber Gladiador, Obina...

Enquanto não se reorganizar e entender que é necessário recomeçar quase do zero, o Palmeiras será sempre coadjuvante. Antigamente uma derrota contundente para o Libertad, do Paraguai, e um revés diante do pequeno Tigre, da Argentina, causariam grande repercussão na mídia. Hoje esses resultados são considerados normais.

O que tem se tornado anormal é justamente o contrário. No mês passado, jornais, rádios e TVs divulgaram com destaque a sequência de sete jogos de invencibilidade da equipe, algo que deveria ser rotineiro para uma instituição forte e vitoriosa. E a maioria das partidas foi contra adversários fracos do interior.

O empate contra o desmotivado Corinthians, há um mês, provocou expectativa de dias melhores no apaixonado torcedor. Como, porém, acreditar num 2013 feliz, se o nível do elenco atual é o mesmo do de 2012? A chegada de José Carlos Brunoro produziu um ímpeto de euforia. Brunoro é competente, mas montou equipes fortíssimas com os milhões de dólares da Parmalat na década retrasada. Só com criatividade o desafio fica bem mais difícil.

Embora seja começo de temporada, os confrontos com Libertad e Tigre apenas confirmam o que os torcedores mais pés no chão já previam para este ano: real possibilidade de sucesso só mesmo na Série B. E não é a violência da torcida organizada que vai recolocar o clube no caminho das conquistas.

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