Daniel Smorigo/ASP South America
Daniel Smorigo/ASP South America

Deslizando nas nuvens

Alejo Muniz, mais novo integrante brasileiro na elite mundial, vence o Hang Loose Pro em Fernando de Noronha

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2011 | 00h00

FERNANDO DE NORONHA - A primeira temporada do catarinense Alejo Muniz na elite do surfe mundial - disputa as etapas reservadas apenas para os 32 melhores do planeta a partir de sábado, na Gold Coast australiana - não podia ter um começo melhor. O surfista de Bombinhas, de 20 anos, conquistou ontem o título do histórico evento de 25 anos do Hang Loose Pro, em Fernando de Noronha, competição mais tradicional da América Latina. Bateu Dion Atkinson, da Austrália, na decisão.

"Não consigo nem acreditar. Esse é o auge da minha carreira", disse o emocionado campeão depois de levantar o troféu da etapa Prime do circuito, que só fica atrás dos 10 eventos da elite em pontuação e em premiação em dinheiro. "Tenho alguma coisa muito especial aqui em Fernando de Noronha. Essa vitória veio no melhor momento possível, quando havia muita gente me apoiando na areia. Estou nas nuvens!", comemorou.

Alejo estará literalmente nos céus a partir de hoje pela manhã, quando embarca numa longa viagem de mais de 24 horas até Snapper Rocks, na Austrália, palco de sua estreia entre os "tubarões" do circuito mundial. "Estou um pouco nervoso para estrear, tomara que esses quase dois dias até chegar lá sejam suficientes para ajustar o foco", afirmou Alejo. "Mas essa vitória será inesquecível para sempre. Vou tentar levar a vibração de Fernando de Noronha para todas as baterias que disputar."

Raça argentina. Alejo Muniz é brasileiro, mas o nome não engana: tem sangue "hermano" correndo em suas veias. O surfista é filho de argentinos que fugiram de crises econômicas no país vizinho e encontraram um porto numa das praias mais belas de Santa Catarina. "Se eles não tivessem feito essa opção lá atrás, jamais eu teria começado a surfar", constatou Alejo. "Bombinhas é um local que tem muitas opções de onda, e isso certamente foi muito importante para o meu desenvolvimento profissional", analisou. "Todo mundo deve estar pulando lá, queria muito comemorar com eles, mas já tenho que viajar."

Foi na raça e numa mudança de tática que o catarinense conquistou o título mais importante de sua carreira. "A gente sempre espera surfar muitos tubos aqui em Fernando de Noronha, mas nos últimos dois dias de competição eles não estavam abrindo", explicou o surfista, que passou a pegar todas as ondas possíveis, manobrá-las até o fim e somar o máximo de pontos que desse. Alejo apresenta o perfil competitivo que tem feito sucesso no circuito ultimamente.

Haja prancha. O maior feito de sua carreira, no entanto, teve um lado negativo. Alejo quebrou duas pranchas durante a competição em Fernando de Noronha. "Só tinha mais duas à disposição e a prancha com a qual surfei a decisão está muito boa. Mas valeu a pena. Nunca tinha surfado tão bem", contou. "Agora vou embalá-la como se fosse de ouro para chegar com ela intacta na Austrália e poder fazer uma boa competição por lá."

Outro brasileiro fez bonito nas ondas de Fernando de Noronha. Heitor Alves, que faz parte dos cinco integrantes do País entre os 32 da elite mundial, parou nas semifinais. Ele perdeu exatamente para o australiano que foi derrotado por Alejo na final. Tinha a liderança da bateria até faltar dois minutos para o fim, quando Atkinson pegou uma onda, fez duas manobras e virou. "Vi que a 'zica' tinha começado quando quebrei minha última prancha durante a bateria. Tive que pegar uma emprestada e não deu para seguir competindo no mesmo nível", lamentou Alves.

QUEM É

ALEJO MUNIZ

SURFISTA CATARINENSE DA ELITE MUNDIAL

Aos 20 anos, é o mais novo surfista brasileiro na elite mundial. Filho de argentinos nascido e criado em Bombinhas (SC), havia vencido a etapa seis estrelas de Paracuru (CE) no ano passado. O título em Fernando de Noronha é o melhor resultado de sua carreira.

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