Despedida com Lima, esperança com Poliana

Brasil terá dia agitado nas maratonas aquáticas

Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

18 de julho de 2009 | 00h00

Luiz Lima para hoje de nadar contra a corrente. Enquanto boa parte dos atletas de alta performance encerrou a carreira ainda jovem, por não estar mais disposta a submeter o corpo à rotina de treinos e a vida pessoal ao sacrifício, o nadador segue competitivo até a última prova da carreira, aos 32 anos, 17 depois da primeira competição como adulto. Ele fecha sua jornada na natação às 11 horas de amanhã, em Roma (6 da manhã, horário de Brasília), na prova de 5 quilômetros das maratonas do Campeonato Mundial, ao lado de Luiz Rogério Arapiraca. Antes, às 3h30 (de Brasília), a primeira esperança de medalhas do Brasil, Poliana Okimoto, disputa a versão feminina com Isabelle Longo. "Será uma emoção especial voltar a competir em Roma. Foi onde disputei meu primeiro Mundial", lembra Lima. E passa adiante a receita da longevidade. "O fundamental é que sempre cuidei muito da alimentação e me preocupei em não sair do meu peso. Bebo pouco refrigerante, como pouco doce, evito carne vermelha e não como gordura. Além disso meu treinamento é adequado à minha idade. Hoje, faço metade do auge da carreira, mas valorizo a qualidade." Mesmo assim, a carga semanal de Lima para o Mundial não foi nada desprezível. "Quando tinha 19, 20 anos fazia 10 treinos de 10 km. Hoje faço 6 de 8 km."Se Lima vai contra a corrente ao apostar na longevidade em um esporte que exige muito do físico, também se destaca por ser um dos poucos a se manifestar publicamente desfavorável aos trajes de competição. "Sou totalmente contra, especialmente os modelos com muita borracha ou neoprene. Dá uma diferença absurda na flutuação, especialmente no quadril. A gente bóia com muito mais facilidade", justifica. "Além disso, acho que tira um pouco do charme do esporte. Acho legal ver o nadador de maiô ou a mulher usando modelo mais cavadinho. É bonito de ver."O nadador acredita não ser exceção em sua posição contra as roupas de natação. "Na verdade muitos atletas têm a mesma opinião, mas não podem manifestá-la em público porque são patrocinados por fornecedoras de material esportivo que fabricam esses produtos."As roupas estão legalizadas pela Federação Internacional de Natação (Fina) e, segundo Lima, o jeito é adaptar-se para não ficar em desvantagem. "Uso para competir. Além da questão da flutuabilidade, também tem como lado interessante o conforto e a proteção contra o frio. Na piscina isso não é grande coisa, mas no mar faz muita diferença."ESPERANÇAPoliana Okimoto está na briga com outras atletas, inclusive a medalha de ouro nos Jogos de Pequim, a russa Larissa Ilchenko, na prova feminina dos 5 quilômetros. "Treinei muito bem em altitude e depois que desci para o nível do mar meus treinos melhoraram bastante", diz Poliana. "Mundial e Olimpíada são sempre muito difíceis. Então não dá pra dizer antes o que vai acontecer. O bom treinamento te dá confiança, segurança. E é assim que estou me sentindo: segura e confiante."ESTREIAO saltador César Castro disputou as eliminatórias do trampolim de 1 metro. O objetivo era tirar um pouco da ansiedade para a sua prova principal, o trampolim de 3 metros, na quarta-feira. Com, 329,95 pontos César ficou em 18º lugar.

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