Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Destaque do Troféu Brasil, Darlan Romani combina força, técnica e cuidados com alimentação

Ouro no arremesso de peso no Pan, atleta estreia sexta, mas se preocupa com excesso de gordura no fígado

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 12h56

O arremessador Darlan Romani, medalha de ouro e recordista nos Jogos Pan-americanos de Lima, é uma das principais atrações do Troféu Brasil Caixa de Atletismo, que começa nesta quinta-feira em Bragança Paulista (SP). Ele estreia nesta sexta-feira como forte candidato ao ouro na maior competição de clubes do País. O gigante de 1,90m e 156kg está no auge da boa forma física, mas tem de controlar a alimentação para evitar excesso de gordura no fígado. Nos últimos anos, ele conseguiu reduzir do preocupante nível 4 para o nível 1.

Darlan afirma que come de tudo, não segue uma dieta rigorosa. Uma de suas paixões são as compotas que sua mãe faz e que costuma estocar em casa. Mas ele precisa controlar a gordura. O catarinense de Concórdia faz questão de tirar o excesso das carnes quando vai às churrascarias, o lugar predileto para se lembrar das origens. Morador do interior de São Paulo, ele compra a comida direto dos sítios da região de Bragança. Ovos? Só orgânicos, aqueles produzidos por galinhas que recebem uma alimentação sem agrotóxicos e fertilizantes químicos. No dia do contato com o Estado, seu almoço foi arroz, lentilha, farofa, salada, frango e batata.

Para a endocrinologista Maria Fernanda Barca, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Sociedade Europeia de Endocrinologia (SEE), o excesso de gordura no fígado - o nome correto é esteatose - dá-se por acúmulo de gordura no abdomen. "Essa gordura causa inflamação e, dependendo do grau, pode levar à hepatite, fibrose, cirrose e até à necessidade de transplante de fígado. De grau leve a moderado, a pessoa não tem sintomas", explica a especialista. 

Para Vanessa Prado, médica do Centro de Especialidades do Aparelho Digestivo do Hospital Nove de Julho, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Aparelho Digestivo (SBCD) e da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBC), "os graus da esteatose variam de inicial grau 1 até grau 4, que é o quadro mais grave. Da mesma forma que ele aumenta, esse grau pode ser diminuído de acordo com o tratamento. O melhor tratamento é tratar a causa base, como na obesidade, por exemplo".

Quem cuida do cardápio é Sara, sua mulher. Quando eles se conheceram, a alimentação de Darlan tinha vários problemas. Entre 2010 e 2013, ele treinava no Centro Nacional de Treinamento em Uberlância (MG). "Como o jantar era muito cedo, nós ficávamos com fome à noite. Aí comíamos pizzas e lanches, pois os treinos eram muito pesados", recorda-se o segundo colocado no ranking mundial da Federação Internacional de Atletismo. Foi aí que o nível de gordura disparou.

Hoje, Sara cuida de tudo. "Ele não controla muito, ele come bem e o que tem vontade. Só controlamos o nível de gordura no preparo e a qualidade dos alimentos. Mais importante é a carne", diz a ex-atleta do salto com vara. Casados há cinco anos, Darlan e Sara são os pais da Alice.

A rotina de treinos de Darlan é puxada. O atleta do Esporte Clube Pinheiros treina diariamente (musculação e parte técnica) em dois períodos. Os treinos são cumulativos e ele ganha mais força a cada ano. Darlan chega a fazer mais de 60 arremessos numa sessão de preparação técnica e levanta mais de 200 kg nos exercícios de musculação. 

Ele não toma suplemento para ganho de massa muscular, o que é raro para arremessadores de peso. Ele prefere compensar a necessidade proteína com os próprios alimentos, principalmente carne (gado, frango e peixe). Costuma ingerir apenas multivitamínicos e glutamina, que ajuda na recuperação física e muscular. Hoje, tem 19% de gordura corporal. Para um arremessador, o porcentual é de 18% a 25%.

Sua evolução tem sido constante, com exceção de 2013, quando sofreu com uma lesão. Ele saiu de 17,19m em 2010 até o recorde pan-americano (22m07) neste ano. Além do ouro no Pan, outros resultados consistentes na temporada fazem dele uma esperança real de medalha em Tóquio no ano que vem. Na última etapa da Diamong League, em Paris, ele conquistou o bronze. "Ainda é cedo para pensar nos Jogos de Tóquio. "Vou dar meus 200%, mas não posso fala de marcas e medalhas. É um momento que estamos está colhendo os frutos. Venho batalhando desde 2010 com meu treinador (o cubano Justo Navarro). Sonhamos alto. Hoje, chegou o momento de começar a colher", diz o atleta de 28 anos.

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