Destaques do ano

Eu já tive memória muito boa. Aliás, ainda tenho e me vale muito no trabalho quando se refere a fatos que ocorreram há mais tempo. O problema tem sido lembrar o que aconteceu ontem. Aí é mais complicado. Mesmo assim, vou escrever esta coluna tentando relacionar os fatos e momentos mais importantes da F-1 em 2010 sem folhear os textos da edição do anuário que a gente acabou de mandar para a gráfica. Aliás, o AutoMotor está maravilhoso, um trabalho jornalístico e artístico da melhor qualidade. Sai no final de janeiro e chega às livrarias em fevereiro.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

Bem, pra não esquecer o que vim fazer aqui, vamos lá. Este foi um ano atípico para a Fórmula-1. Basta dizer que até a abertura do campeonato a Ferrari parecia favorita. Quando começaram os treinos, viu-se que havia outros carros mais velozes. Mas, ainda assim, foi ela que acabou vencendo a corrida. Zebra! A Red Bull só não começou o ano vencendo por quebra no RB-6 de Vettel. Tanto que a Ferrari só voltaria a vencer dez corridas depois, na Alemanha. E não foi só a Red Bull. Também a McLaren começou o ano com um carro melhor do que a Ferrari.

E assim se desenrolou a primeira parte do campeonato. Ou era McLaren ou era Red Bull na frente. Nas nove corridas seguintes, a Red Bull acumulou 5 vitórias, contra 4 da McLaren. Nada de Mercedes-Benz. E muito menos de Schumacher. O meu palpite no início da temporada era que Schumacher venceria o companheiro de equipe Rosberg com facilidade, assim como Hamilton dominaria Button, Massa teria grande dificuldade ao enfrentar Alonso e Vettel seria o campeão sem ameaça de Webber. Errei bem mais do que acertei.

O grande erro foi em relação a Schumacher: Rosberg deu um banho, largou 15 vezes na frente em 19 GPs, fez 70 pontos a mais e, pela primeira vez na carreira, o heptacampeão passou um ano inteiro sem subir ao pódio. Na McLaren Button venceu duas e liderou o campeonato, enquanto Hamilton só conseguiu a primeira vitória na sétima corrida do ano. Mas, no final, deu o que eu esperava. E, se acertei a indicação do campeão, errei feio na comparação de Vettel com Webber. Pensei que o talento de Vettel fosse arrasar Webber, mas o australiano me surpreendeu - e a todos os meus colegas na F-1 - com um ritmo forte, seguro, quase sem erros.

Webber mereceu o título tanto quanto Vettel. Mas a Red Bull apostou naquele que representa o futuro. Com 23 anos de idade, o alemão retrata o espírito renovador da equipe melhor do que os 34 anos do australiano que deve se despedir da F-1 em 2011. Por isso, preferiu o risco de perder o título a adotar o jogo de equipe em favor de Webber, que liderava o campeonato. Deu certo. Mas contou com muita sorte.

O título disputado por quatro pilotos até a última corrida é o maior destaque da Fórmula-1 em 2010. Antes disso, o campeonato mais disputado havia sido o de 1986, mas do quarteto da época, embora mais talentoso - Prost, Senna, Mansell e Piquet -, se desfez antes da corrida final. A Red Bull criou o carro mais veloz do ano, trabalhou melhor do que as outras para permanecer na liderança a maior parte do tempo e só deixou de marcar ponto em uma das 17 corridas do ano. Vettel errou muito, mas teve um final de ano brilhante. Somou cinco vitórias, chegou duas vezes em 2.º, três em 3.º. Liderou 382 voltas. Webber foi o mais regular. Só não marcou ponto em duas corridas, liderou 317 voltas e venceu quatro vezes. Alonso venceu cinco, mas liderou bem menos - 126 voltas.

Dos acontecimentos de pista, muita coisa a destacar. O voo espetacular de Webber em Valência, o Rubinho passando por Schumacher espremido no muro de Hungaroring, a besteira do Vettel batendo em Webber na Turquia, a ordem mal disfarçada do rádio da Ferrari para Massa dar posição a Alonso na décima corrida do ano. E, para encerrar, as inúmeras demonstrações do supertalento de Robert Kubica.

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