Detetive do caso Pistorius encara acusação de homicídio

PRETÓRIA - O próprio investigador principal do caso envolvendo Oscar Pistorius, atleta acusado de premeditar o assassinato de sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, na madrugada do último dia 14, em Pretória, enfrenta uma acusação de tentativa de homicídio durante um tiroteio ocorrido em 2011. A informação foi confirmada pela polícia da África do Sul nesta quinta-feira, terceiro dia seguido de audiências com o astro paralímpico, em tribunal que está julgando o pedido de liberdade da cadeia por meio de pagamento de fiança, feito pela defesa do velocista.

AE-AP, Agência Estado

21 de fevereiro de 2013 | 09h49

Os promotores do caso disseram que não estavam inteirados sobre as acusações enfrentadas pelo veterano investigador Hilton Botha quando pediram pelo seu comparecimento ao tribunal que processa Pistorius. Na última quarta-feira, o detetive se manifestou contra o pedido de liberdade de Pistorius, dizendo em audiência que o atleta solto representaria um "risco à sociedade" e alegando que o mesmo poderia tentar fugir da África do Sul.

O corredor sul-africano é acusado pela promotoria de premeditar o assassinato da modelo de 29 anos, morta com quatro tiros no banheiro da casa do atleta, na capital sul-africana. O atleta alega que confundiu a namorada com um ladrão e defendeu que os disparos foram acidentais.

O chefe policial Neville Malila afirmou que Botha tem sua presença em um tribunal agendada para maio, em razão de sete acusações de tentativa de homicídio relacionados com um incidente ocorrido em outubro de 2011, quando o investigador e outros dois policiais dispararam contra um ônibus de pequeno porte que tentavam deter.

Medupe Simasiku, porta-voz da promotoria que acusa Pistorius de assassinato premeditado, disse que não poderia opinar se as acusações contra Botha poderiam afetar o caso envolvendo o atleta, que fez história no ano passado, em Londres, ao se tornar o primeiro biamputado a disputar uma edição dos Jogos Olímpicos.

Bulewa Makeke, outro porta-voz da promotoria, porém, admitiu que era "totalmente estranho" um policial acusado de assassinato liderar a investigação do caso envolvendo Pistorius e admitiu que o detetive deveria ser retirado do processo contra o atleta. "Será que ele (Botha) vai ser retirado do caso? Eu não sei. Acho que a coisa certa para ele seria ser descartado", disse Makeke, pouco antes do início da audiência desta quinta-feira no tribunal de Pretória.

A revelação negativa sobre Botha foi mais um golpe negativo para a acusação contra Pistorius, depois de a Promotoria do Ministério Público da África do Sul ter afirmado na última quarta-feira que houve um erro testemunhal do investigador quando o policial informou que foram encontradas caixas com testosterona no quarto do atleta. Simasiku afirmou que é muito cedo para identificar a substância achada no local como testosterona até que a mesma seja submetida a testes de laboratório que comprovem, de fato, qual ela é.

O advogado de Pistorius, Barry Roux, confirmou a existência das caixas na residência do corredor sul-africano, mas disse que o conteúdo das mesmas "não é um esteroide e nem uma substância proibida", depois de a revelação da polícia ter levantado a possibilidade de o atleta biamputado ter feito uso de doping para melhorar o seu rendimento esportivo.

Para completar, Botha ainda foi acusado por Roux de "contaminar a cena do crime" ao caminhar com sapatos sem proteção sobre o chão da casa de Pistorius. E o próprio investigador admitiu que deveria ter tomado este cuidado.

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