Detetive vê erros na versão de Pistorius

Investigador que esteve no local do crime diz que assassinato foi premeditado e não em defesa pessoal

PRETÓRIA, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h04

O julgamento do pedido de liberdade provisória mediante pagamento de fiança feito por Oscar Pistorius foi adiado mais uma vez e o atleta sul-africano continua detido em uma delegacia em Pretória. Ele é acusado de ter premeditado o assassinato da namorada, a modelo Reeva Steenkamp, na semana passada. O julgamento prossegue hoje.

Convocado pelo promotor do caso, Gerrie Nel, o detetive e subtenente Hilton Botha, que esteve no local do crime na madrugada da tragédia, prestou ontem depoimento e fez duras acusações contra Pistorius. Ele se mostrou contra a liberdade provisória do atleta durante o período do julgamento por acreditar que o acusado pode tentar fugir do país.

Segundo Botha, um dos advogados de Pistorius estava à procura de documentos e de um cartão de memória com contas do atleta no exterior, o que caracterizaria um plano de fuga.

Entre as acusações feitas por Botha está o depoimento de uma testemunha que mora a 300 metros de distância do atleta e teria escutado "gritos ininterruptos" na mansão de Pistorius pouco antes do crime. "A pessoa ouviu tiros, foi para a sua varanda e viu que a luz (da casa) estava acesa. Então, ouviu uma mulher gritando duas ou três vezes, e depois mais tiros", disse.

Botha também apontou erros na versão do crime dada pela defesa de Pistorius. O atleta disse que só notou que a namorada não estava deitada ao seu lado na cama depois de já ter efetuado os disparos, mas, segundo o investigador, para caminhar da varanda (onde Pistorius afirmou ter ido após se levantar) para o banheiro é preciso obrigatoriamente passar pela cama.

O advogado de Pistorius lembrou que a bexiga de Steenkamp estava vazia quando ela morreu, o que significa que levantou para ir ao banheiro e, por isso, foi confundida com um ladrão.

O julgamento deve levar vários meses. Pistorius pode pegar prisão perpétua.

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