Detetive vê erros na versão de Pistorius

Investigador que esteve no local do crime diz que assassinato foi premeditado e não em defesa pessoal

PRETÓRIA, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h05

O julgamento do pedido de liberdade provisória mediante pagamento de fiança feito por Oscar Pistorius foi adiado mais uma vez e o atleta sul-africano continua detido em uma delegacia de polícia em Pretória. Ele é acusado de ter premeditado o assassinato da namorada, a modelo Reeva Steenkamp, na semana passada. O julgamento terá prosseguimento hoje.

Convocado pelo promotor responsável pelo caso, Gerrie Nel, o detetive e subtenente Hilton Botha, que esteve no local do crime na madrugada da tragédia, prestou ontem depoimento no tribunal e fez duras acusações contra Pistorius. Ele, inclusive, se mostrou contra a liberdade provisória do atleta durante o período do julgamento por acreditar que o acusado pode tentar fugir da África do Sul.

Segundo Botha, um dos advogados de Pistorius estava à procura de documentos e de um cartão de memória com contas do atleta no exterior, o que caracterizaria um plano de fuga.

Entre as acusações feitas por Botha está o depoimento de uma testemunha que mora a 300 metros de distância do atleta e teria escutado "gritos ininterruptos" na mansão de Pistorius pouco antes do crime. "A pessoa ouviu tiros, foi para a sua varanda e viu que a luz (da casa de Pistorius) estava acesa. Então, ouviu uma mulher gritando duas ou três vezes, e depois mais tiros", disse o investigador.

Botha também apontou erros na versão do crime dada pela defesa de Pistorius. O atleta disse que só notou que a namorada não estava deitada ao seu lado na cama depois de já ter efetuado os disparos, mas, segundo o investigador, para caminhar da varanda (onde Pistorius afirmou ter ido após se levantar) para o banheiro é preciso obrigatoriamente passar pela cama. Para fundamentar a acusação, ele mostrou a planta da casa por meio de um projetor na sala da audiência.

Outro ponto questionado pela acusação é o fato de o atleta ter dito que efetuou os disparos sem suas próteses. O exame de balística ainda não foi concluído, porém, de acordo Botha, já é possível dizer que os tiros foram feitos de cima para baixo.

O advogado de Pistorius lembrou que a bexiga de Steenkamp estava vazia quando ela morreu, o que significa que a modelo levantou no meio da madrugada para ir ao banheiro e, por isso, foi confundida com um ladrão. O atleta alega que acordou no meio da noite e achou que um intruso havia entrado na casa através da janela do banheiro. Ele, então, pegou uma pistola 9 milímetros e disparou contra a porta por acreditar que o ladrão estava escondido lá dentro.

Para justificar a presença de uma arma de fogo debaixo da sua cama, Pistorius afirmou que já havia sofrido ameaças. A acusação diz, no entanto, que não encontrou nenhuma queixa policial na qual Pistorius alega ter sido ameaçado.

Depois de quatro horas de depoimento, a audiência foi suspensa e vai continuar hoje. O julgamento deve levar vários meses. Se for condenado, Pistorius pode pegar prisão perpétua.

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