Dez anos de frustrações para os palmeirenses

Desde 2002, ano do primeiro rebaixamento, o clube tentou de tudo para voltar a brilhar, mas quase nada deu certo

/ D. B. e P. G., O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2012 | 02h03

Nos dez anos que se passaram entre os dois rebaixamentos do Palmeiras para a Série B, o clube tentou de tudo para voltar a seus dias de glória, mas nada funcionou. Enquanto seus principais rivais acumulam títulos nacionais e internacionais, o Alviverde acumula frustrações.

Desde a queda no Brasileiro de 2002, o Palmeiras teve quatro presidentes eleitos, cada um com uma maneira diferente de administrar o clube. E esses dirigentes atiraram para todos os lados na hora de montar o elenco, quase sempre sem sucesso.

Logo depois da queda no Brasileiro de 2002, o Palmeiras teve uma eleição para presidente. Mustafá Contursi, que comandava o clube com controle absoluto do Conselho Deliberativo, quase sem oposição, reelegeu-se para o cargo com o discurso de que queria deixar o clube com a equipe de volta à Série A.

Adepto da política do "bom e barato", Mustafá não abriu os cofres para grandes contratações. Ele preferia apostar em um time sem estrelas, mas uma mudança de rota ocorreu depois de uma goleada histórica sofrida na Copa do Brasil.

Os 7 a 2 para o Vitória, em pleno Palestra Itália, doeram muito, mas serviram para que garotos das categorias de base (como Vagner Love, Edmilson e Diego Souza) ganhassem espaço no time e formassem a base que levou o Palmeiras à Série A. No retorno à elite, no entanto, a fórmula de dar protagonismo aos garotos se mostrou insuficiente.

Quando Affonso Della Monica assumiu a presidência, a situação mudou. Depois de romper com Mustafá, ele decidiu investir bastante no futebol. E com Della Monica chegou a Traffic, que injetou milhões no clube para contratar nomes como Vanderlei Luxemburgo, Diego Souza e Keirrison. Parecia que os bons tempos da Parmalat estavam de volta, mas a parceria rendeu só o título paulista de 2008.

O presidente seguinte, Luiz Gonzaga Belluzzo, assumiu o clube como uma espécie de "salvador da pátria" graças a seu respeitabilíssimo currículo como economista. Ele abriu ainda mais os cofres e enterrou definitivamente a política do "bom e barato", apostando em técnicos badalados - e muito caros - como Muricy Ramalho e Luiz Felipe Scolari e em velhos ídolos da torcida, como Kléber e Valdivia. Apesar disso, sua gestão terminou em frustração - dele próprio e dos torcedores.

Arnaldo Tirone o sucedeu e, com ele, a guerra política explodiu. A conquista da Copa do Brasil foi um oásis incapaz de saciar os anseios de quase 16 milhões de torcedores, que agora compartilham a sensação de que o Palmeiras jogou no lixo dez anos de sua história.

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