Dia para o Goiás esquecer a tristeza

Rebaixado no Brasileiro, time tenta na Argentina, diante do Independiente, a sua maior façanha. Pode até perder por 1 gol

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2010 | 00h00

Eles choraram muito ao longo da temporada. Viram o Goiás fracassar no Campeonato Goiano e na Copa do Brasil e dar vexame e ser rebaixamento no Brasileiro. Mesmo assim, não abandonaram em nenhum momento o time de coração. Ergueram o moral dos jogadores, a quem apelidaram de "guerreiros", e hoje, a partir das 22 horas, diante do Independiente, na Argentina, os torcedores esmeraldinos podem fechar a temporada com lágrimas nos olhos, mas de alegria e emoção com a maior conquista da história do clube. Até derrota por um gol de diferença dá a taça da Copa Sul-Americana ao Goiás e, consequentemente, uma vaga na Libertadores de 2011.

"Não vai ser fácil, mas vamos ganhar. Pelo que o time fez na competição, ele merece ganhar. Será importante para a gente, pois não temos nenhuma conquista internacional", diz o jovem Murilo Nogueira, de 17 anos, da torcida organizada Força Jovem. "E o título vai apagar tudo que deu de errado no ano. Vamos ganhar um título, ir para a Libertadores e isso dará moral para retornarmos à Série A", segue, lamentando, apenas, não poder estar entre os 800 torcedores que foram para a Argentina.

Com medo de uma reação violenta dos torcedores argentinos, o pai do garoto, senhor William, pediu que ficasse e torcesse pela tevê. "Além do mais, estava caro. Mas me propus a trabalhar para pagar os R$ 1,3 mil. Só que ele ficou muito preocupado com possíveis brigas."

Murilo é um dos tantos torcedores que passaram o fim de semana no estádio Hailé Pinheiro, o Serrinha, onde o time principal passou treinando para a decisão. Com uma faixa de "Time Guerreiro" os esmeraldinos levaram voto de confiança ao time. Eram crianças, jovens, mulheres, todos vestidos com o verde da camisa, cor que simboliza a esperança. "Vamos sofrer muito, vai ser duro, mas os jogadores prometeram suar a camisa e nos trazer o título. E eu acredito muito neles", enfatiza Monica Percim.

Como ganhou por 2 a 0 no Serra Dourada, o Goiás joga com a possibilidade até de derrota por um gol para erguer a taça. Mas os jogadores prometem empenho para voltar não apenas com o troféu, como um resultado positivo. "Fomos muito bem nos jogos fora de casa e vamos lutar muito para dar essa alegria à torcida", garante o lateral-esquerdo Wellington Saci.

"Precisamos manter o espírito guerreiro que demonstramos durante toda a competição, a nossa vontade, mas sempre pensando em vencer. Se entrarmos imaginando qualquer outro resultado, que não seja a vitória, a chance de termos um insucesso será muito grande", endossa o artilheiro Rafael Moura, dono de sete gols na competição. "Espero que nosso time leve a melhor e fique com o caneco, que seria importante para o Goiás, depois de ano tão difícil."

A torcida confia nas palavras do jogador. E o endeusa. "Aha, uhu, o He-man vai te pegar", cantam, em coro, para saudar seu goleador. "Não vou não, sou da paz", brinca o jogador, que nos últimos treinos, ainda em Goiânia, recebeu apoio intenso e caloroso de toda a família.

O que deixa os goianos ainda mais motivados para a conquista são os resultados da equipe na competição fora de casa. Todos garantiriam a taça. O time fez 2 a 0 no Grêmio, no Olímpico, perdeu por 3 a 2 do Peñarol, no Uruguai, bateu o Avaí por 1 a 0 em Florianópolis e, por fim, fez 2 a 1 no Palmeiras, no Pacaembu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.