Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Diante de Portugal no Pacaembu, Brasil testa evolução no rúgbi XV

Pedro Bengaló ajudará seleção brasileira no amistoso, que vale pontos no ranking

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2017 | 07h00

A seleção brasileira de rúgbi XV recebe a seleção portuguesa no Pacaembu, neste sábado, às 13 horas, em meio às comemorações pelo Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. O "test-match", amistoso que vale pontos no ranking mundial, em São Paulo servirá como teste para avaliar a evolução do trabalho de alto rendimento dos "Tupis".

Será o terceiro confronto entre as equipes e, pela primeira vez, o Brasil se vê em condições de vencer Portugal. Em 2013, os brasileiros foram atropelados por 68 a 0, na Arena Barueri. No ano passado, em Coimbra, a derrota por 21 a 17 veio no último lance. A expectativa para o confronto deste sábado é de equilíbrio e, para montar a estratégia, os donos da casa tiveram ajuda de um "espião".

"Tenho amigos que vão jogar contra nós, vai ser engraçado encontrá-los do outro lado do campo. Conversei com o José Conde, que joga na mesma posição que eu, e trocamos algumas ideias. Vai ser um jogo bem equilibrado. O jogo em Portugal poderia ter ido para qualquer lado, agora vamos em busca da vitória. Estamos com isso entalado na garganta, vamos com tudo para cima deles. Nesse momento, sou Brasil", diz Pedro Bengaló.

Séculos depois de os portugueses se arriscarem por "mares nunca dantes navegados", Pedro trocou Cascais por Florianópolis para jogar rúgbi. O pilar - jogador que atua na linha de frente do scrum (formação de reinício das jogadas, na qual os atletas se empurram com a cabeça abaixada) - foi chamado para fazer testes no Brasil depois de conversar com Fernando Portugal, brasileiro precursor no esporte.

O primeiro contato ocorreu graças à iniciativa do primo Bruno pelas redes sociais, e Pedro desembarcou na terra da mãe Márcia, que nasceu em São Vicente e imigrou para Europa, cinco meses depois. As duas semanas para testes em São José dos Campos transformaram-se em um ano. O plano agora é defender a seleção brasileira até o Mundial de 2023. 

Devido a seu porte físico, Pedro conheceu o esporte aos 15 anos. "Sempre fui gordo. Todo esporte que fazia era sempre condicionado pelo meu peso. Quando descobri o rúgbi, vi uma grande oportunidade de fazer amigos e de melhorar minha condição física", relembra.

Chegou a fazer alguns treinos com a seleção portuguesa, mas acabou dispensado pela comissão técnica, que não viu potencial. O atleta diz não guardar mágoa e se sente acolhido pelos brasileiros. "Trabalho aqui é excelente, eles pegam jogadores com potencial genético grande e dão de tudo para evoluírem como jogadores e pessoas", exalta. 

"Em Portugal, não estava no alto rendimento. Treinava quatro vezes por semana, mas em uma intensidade muito mais baixa. As condições do clube (Cascais) eram boas, mas treinava com pouca gente. Aqui o sistema tem me ajudado bastante a evoluir, melhorou bastante minha condição física e mesmo o meu jogo."

Pedro tem acompanhado o ritmo de crescimento da seleção brasileira. Em 2017, os "Tupis" fizeram três jogos no Pacaembu - diante Chile, Canadá e Paraguai - e estão invictos. Os atletas já se sentem em casa. "As condições da grama importam muito para termos estabilidade. No Pacaembu, a grama é perfeita. E o público é espetacular, torce muito. É o estádio ideal", elogia o pilar.

Em dezembro de 2015, quando o estádio paulista abriu as portas para o rúgbi, mais de 10 mil pessoas estiveram nas arquibancadas. A previsão é de repetir o bom público neste sábado. O jogo contra o Chile, que estava marcado para o Pacaembu no dia 17, foi cancelado a pedido da equipe adversária. O desafio seguinte dos "Tupis" será contra a Romênia, fora de casa, em 24 de junho.

 

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