DIÁRIO DA SELEÇÃO: A encruzilhada em que Felipão se meteu

Felipão está numa encruzilhada. Tem caminhos diferentes a percorrer e, se não escolher o que o leva ao pote de ouro, vai viver uma das maiores frustrações de sua longa carreira. As opções não são nada simples. Uma delas impõe ao treinador a obrigação urgente de reinventar a seleção. Não dá mais para convencer os adversários de que é possível vencer uma partida sem ação do meio de campo. É preciso fazer circular a bola ali onde se pensa o jogo. Dar responsabilidade a Oscar. Tirar o garoto da situação confortável que vive na ponta-direita e o obrigar a dialogar com Neymar. O craque do time não pode jogar com o País inteiro às costas. Alguém precisa dividir o fardo. E o mais indicado é mesmo Oscar.

Luiz Antônio Prósperi , O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2014 | 02h03

Felipão, apesar das escassas opções à disposição para alterar a configuração da seleção, pode recorrer a Willian. Oscar, Willian e Neymar são rápidos, inteligentes, têm bom repertório e poderiam dar um molho diferente a um time desvertebrado. O Brasil ficaria mais Brasil, com boas possibilidades de fazer da seleção uma equipe mais alegre. Apostar na força descomunal de Hulk e insistir com Fred, o centroavante do movimento zero, pode custar caro já contra a Colômbia. Quem tem dúvida, basta analisar o quanto o Chile cobrou caro a sua desclassificação.

Outra opção na encruzilhada a que Felipão se meteu é se inspirar nas impávidas montanhas de Teresópolis, a proteger a Granja Comary. E tirar dali a paz de um monge para neutralizar a carga elétrica a que seus jogadores estão submetidos. Passou da hora de tirar o time da tomada de 220v.

Atletas pilhados, impregnados de verde e amarelo até a medula, não costumam dar boas respostas em campo. O choro oceânico da maioria deles já intriga e perturba a imensa multidão. Quem tem de verter lágrimas é quem carrega o País nas costas e não um simples número (de 1 a 23) na camisa de cinco estrelas.

Estão aí os caminhos de Felipão. A seleção precisa ser repensada, se reequilibrar e não fazer do pânico sua marca registrada. E, se não for pedir muito, deixar o choro para os bebês.

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