DIÁRIO DA SELEÇÃO: Eles têm quase tudo, só não têm Neymar

O jogo de ontem teve momentos estranhos. A bola não circulava pelo meio, viajava direto da defesa para o ataque, em busca de um lance definitivo. Felipão disse que "a culpa" foi do Oscar, que, muitas vezes, se colocava como quinto atacante e não voltava para armar o jogo. Disse também que cabia a Hulk ajudar a trabalhar a bola pelo meio. Mas não se irritou com os dois. Preferiu afirmar que o jeito de Camarões jogar, com aquela inocente linha de cinco zagueiros quase na linha divisória do campo, era um convite aos esticões dos zagueiros aos atacantes. E a coisa tomou uma proporção tão grande, tão favorável à seleção com os atacantes ficando na cara do gol, que era inevitável lançar a bola. Muitas das situações de gols nasceram das esticadas de David Luiz a Neymar, Hulk, Fred e por aí vai.

Luiz Antônio Prósperi , O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2014 | 02h02

Bom, essa estratégia cabe bem a um adversário suicida diante da velocidade dos homens de frente, meias e até laterais do Brasil. Não se pode deixar um terreno baldio entre o goleiro e o primeiro muro de zagueiros quando se tem a seleção brasileira pela frente. Camarões jogou assim e levou um sacode.

Contra o Chile, a história é outra. O time não cede um palmo de grama que seja. Joga agrupado, pegador, sempre com tanque cheio. Para cada adversário que pega na bola, sempre há três chilenos no encalço, prontos a morder. De posse da bola, viram uma locomotiva. Vargas e Alexis Sánchez partem como flechas e só freiam quando a bola está guardada no fundo das redes.

O Chile ainda tem outra vantagem. Deu início em 18 de maio - quase dez dias antes de o Brasil se apresentar em Teresópolis para treinar - à preparação para a Copa do Mundo. Tempo de sobra para encher o pulmão, fortalecer os músculos e mentalizar que "sí, se puede" na corrida pela taça. É um time obstinado, obrigado, por princípio, a não dar a menor trégua ao adversário. Tem jogadores tinhosos, de alto nível técnico. Tem ainda um treinador arejado, antenado às modernidades táticas do futebol. Contam também com uma imensa multidão que invadiu o Brasil a carregar seus heróis nas costas. Mas sabe o que eles não têm? Simples, Neymar.

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