DIÁRIO DA SELEÇÃO: Entre o bigode de Fred e a dentada de Luisito

Luisito Suárez afiou os dentes no ombro de Chiellini. Quase arruinou o Uruguai no jogo da classificação contra a Itália. Se a Fifa encafifar pode punir o atacante com base nas imagens da TV. Seria um duro golpe para a Celeste, que Luisito fez renascer na Copa com a histórica vitória (2 a 1) contra a Inglaterra semana passada no Itaquerão. O goleador implacável desceria do pedestal para habitar a cela reservada aos irresponsáveis do futebol.

Luiz Antônio Prósperi , O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2014 | 02h03

Seu exemplo de entrega, aliado à extrema eficiência na feitura dos gols, ficaria em segundo plano e não serviria nem para acordar o Fred, que preferiu o bigode aos dentes para desencantar e deixar sua marca na rede de Camarões.

Tudo bem que centroavante tem de ficar à caça de restos na grande área, mas daí a dar dentadas de tubarão no inimigo beira ao inaceitável. Não se justifica um gesto descabido como esse em nome de um gol.

Fred já foi crucificado na Copa ao simular um pênalti no jogo de estreia contra a Croácia. Treinadores e gente de nome no futebol condenaram o atacante brasileiro. Na ocasião, ele ganhou fama de canastrão. E a conta de Fred estava negativa até segunda-feira. O gol que fez em cima de Camarões, meio de cabeça, meio de boca - será que ele quis morder a bola? - o recoloca na rota dos artilheiros em busca da sobrevida neste Mundial.

Luisito nem precisaria mais se matar por um gol. A sua façanha diante dos ingleses ainda está fresca na memória da torcida e na página da história das Copas. Sem dúvida, um herói. Mas a dentada no italiano vai ficar marcada. Pelos antecedentes, Suárez não tem como escapar de uma punição. Não é a primeira vez que comete esse tipo de bobagem. No futebol europeu, por duas vezes tentou provar da carne dos zagueiros. E se deu mal.

Fred não pode cair nessa armadilha. Aliás, nenhum jogador de Copa do Mundo deve se deixar levar por esses artifícios. Às milhares de lentes espalhadas nas arenas, nada escapa. Flagrantes delitos são enviados mundo afora em segundos. Os espertos são desmascarados instantes depois de praticar o jogo sujo.

No futebol alguns deuses se esfarelam entre um domingo e outro. Na Copa, o prazo é mais curto, mas vira uma eternidade.

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