DIÁRIO DA SELEÇÃO: Luiz Antônio Prósperi Chile manda um recado ao time de Felipão

Valdivia sai dos vestiários do Maracanã com um sorriso do tamanho do mapa do Chile, longo e fino, mas sem deixar de ser irônico. Entra na zona mista, área reservada às entrevistas dos derrotados e dos vitoriosos, e a cada passo se vê obrigado a falar a respeito do tamanho do feito do Chile diante da atual campeã do mundo. "Estamos (chilenos) felizes e acho que todo o Brasil também. Nós eliminamos um grande campeão e tiramos um favorito do caminho do Brasil."

O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2014 | 02h02

De folga, depois do empate mixuruca com os mexicanos, é bem provável que os jogadores da seleção brasileira não tenham prestado atenção às declarações do Mago. Eles têm mais coisa a fazer do que ouvir Valdivia. Mas seria bom ficar de olhos abertos. O Chile prestou sim um grande serviço ao Brasil ao tirar a Espanha da frente. Nunca se pode subestimar o poder de um campeão. Se os espanhóis tivessem um pingo de vontade, teriam avançado de fase, que não seria nada bom para o time de Felipão.

Bom, a Espanha é carta fora do baralho. Quem vem aí é Holanda ou Chile. Um dos dois vai pegar a seleção brasileira nas oitavas de final. A conta está equilibrada. As duas seleções têm seis pontos cada, mas a Holanda leva a vantagem no saldo de gols: marcou 8, sofreu três e vai para rodada final com cinco gols a favor. O Chile fez cinco, levou um - saldo de quatro. Dessa forma, os holandeses jogam pelo empate para garantir o primeiro lugar do Grupo B. O segundo colocado enfrenta o primeiro do A que, neste momento é o Brasil. Teríamos assim Brasil x Chile nas oitavas de final.

Brasil x Chile é tudo o que Felipão menos quer. O técnico até franze o bigode para falar desse confronto. Diz que a seleção não se encaixa com os chilenos, osso duro de roer. Nas últimas Copas não têm sido assim. O Brasil não encontrou a menor dificuldade para despachar os adversários sul-americanos.

Mas aí tem um detalhe que, talvez, Felipão já tenha notado há um bom tempo. Esse Chile não é mais um Chile. Trata-se de uma bela esquadra que sabe atacar e defender com a mesma intensidade. Disputa cada migalha do campo sem nenhuma concessão ao adversário. Se impõe e obriga o inimigo a correr atrás. E, para complicar, não tem o menor respeito pelo tamanho e tradição do rival. A prova está aí com a derrota imposta à Espanha, ontem, no Maracanã.

Outra advertência a respeito do time deles é o quanto são movidos pela inesgotável paixão de sua torcida. Por onde ela passa as cores somem para dar lugar ao vermelho. Foi assim ontem no Maracanã e tem sido assim nos jogos da Copa. Os chilenos não se permitem dar espaços aos outros torcedores e fincam bandeiras rubras na terra, sem se importar se tem dono ou não.

Este é o Chile que pode aparecer no caminho da seleção. Valdivia disse que os chilenos estão felizes. Podem ficar ainda mais se derrubarem outro campeão mundial. A bolinha da seleção anima os vermelhos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.