DIÁRIO DA SELEÇÃO: Não se ganha a Copa somente com heróis

Hulk não tem vocação para herói. Não adianta Felipão insistir. O Mineirão é testemunha do quanto ele lutou para ser o protagonista da batalha de Belo Horizonte. Fez de tudo um pouco para escrever seu nome em um dos jogos mais complicados do Brasil em toda a sua história de 20 Copas do Mundo. Não conseguiu. Suas tentativas de heroísmo ficaram muito próximas da vilania.

Luiz Antônio Prósperi, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2014 | 02h01

De que adiantou proteger com sua força toda uma nação o tempo todo se, no momento mais favorável do jogo ao Brasil, ele abriu a porta de entrada para o gol do Chile? Um descuido imperdoável, que deixou a seleção brasileira à beira do precipício. Bastava um empurrãozinho.

Depois de franquear a entrada aos chilenos, Hulk correu como um obstinado para recuperar o prejuízo. Teria sofrido um pênalti, não anotado pelo árbitro, sir Webb. Mais tarde, encaixou um gol. Ilícito na visão do juiz inglês e seus assistentes. Não havia mesmo meios de Hulk ser o herói. Nada dava certo.

A única certeza que ele tinha era agradecer a Felipão por deixá-lo no jogo. Fosse outro treinador, e ele estaria na companhia de Fred estirado no banco dos suplentes após sucessivos fracassos na partida. O técnico não deu ouvido aos apelos de milhões e sustentou Hulk até o final. O dono da camisa 7 correu, correu e continuou correndo sem eira nem beira. E nunca mais parou até a epopeia dos pênaltis em que ele colaborou com a quase tragédia ao errar sua cobrança. Justo ele, o "Hulk, Hulk, Hulk" dos gritos da torcida.

Felipão acredita em Hulk e vai com ele até o fim. Hulk acredita que vai ser um dos nomes da Copa. É questão de tempo. Pode ser. O problema é que ele não tem mais o direito de errar. O drama do Mineirão não pode se estender ao Castelão, quem sabe o cenário de um herói improvável.

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