DIÁRIO DA SELEÇÃO: O futebol mudou, a Granja também

Há 24 anos pisei pela primeira vez na Granja Comary. A seleção dava os toques finais rumo à Copa da Itália. Sebastião Lazaroni, que não se perca pelos seus feitos, era o treinador. Atendia à imprensa, pouco mais de 50 jornalistas, em um cercadinho de madeira, quase um curral, próximo à entrada dos vestiários. Lazaroni defendia o esquema retranqueiro, então uma novidade na seleção acostumada ao fino toque de bola. O mundo do futebol era outro.

Luiz Antônio Prosperi, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2014 | 02h11

Os jogadores, capitaneados por Dunga, Ricardo Gomes, Alemão e outros de couro duro, não tinham medo de se manifestar. Contrários às exigências da CBF, na época já sob o comando de Ricardo Teixeira, tamparam com as mãos o logotipo do patrocinador da seleção, na foto oficial da delegação antes do embarque para Roma. Protestavam contra a baixa premiação prometida pela CBF se o Brasil fosse tetra nos campos italianos. A foto oficial nunca foi publicada.

Os portões da Granja eram franqueados aos políticos. Por ali passou Fernando Collor, eleito presidente do Brasil em 1989. Collor, com pinta de atleta, queria bater bola com os craques do escrete de Lazaroni em busca de popularidade. No dia da sua visita, desabou um temporal em Teresópolis. O presidente teve de se contentar com uma brincadeira em uma quadra de futebol de salão.

Depois de uns 15 dias de treinos na Granja, Lazaroni embarcou com a sua trupe para a Itália de onde voltaria para casa bem mais cedo do que se imaginava com um rotundo fracasso nas costas.

24 anos depois, a Comary está moderna. Felipão atende a imprensa em uma sofisticada tenda para 1.800 jornalistas. Seu esquema tático não enaltece a retranca. Os jogadores não têm um pingo de rebeldia. Em vez de esconder as logomarcas tratam de valorizá-las ao extremo. A Copa vem aí, ruas do País ardem e a presidente Dilma, parece, não vem visitar a Granja para tirar uma lasquinha da seleção. O mundo do futebol é outro.

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