Diário da Seleção: Quando Scolari vira troféu de argentino

Um jornalista argentino, cabeludo e grisalho, correu para tirar uma foto com Felipão na saída da sala de entrevistas da Fifa, ontem de manhã, no Mineirão. Teve de disputar espaço com um repórter japonês, dois italianos e alguns curiosos brasileiros. No empurra-empurra, o hermano conseguiu seu troféu: uma foto de Felipão segurando a bandeira da Argentina. O treinador não entendeu o tamanho do assédio que acabava de sofrer na sala. O Brasil ainda nem havia jogado as oitavas de final, nem derrotado o Chile. De onde vinha aquele desejo alucinado de conversar com o técnico da seleção brasileira, tirar fotos, tietar?

Luiz Antônio Prósperi , O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2014 | 02h00

Felipão saiu dali e se dirigiu ao Centro de Treinamento do Sesc de Venda Nova, um bairro de BH, para comandar o último treino da seleção antes de enfrentar o Chile. Teve tempo de buscar durante o percurso as respostas para a euforia repentina de gente da imprensa internacional. Felipão pode mesmo não ter entendido nada do que se passou.

Quem acompanhou aquele momento de assédio na sala pôde perceber que há algo maior no ar do que um simples jogo de futebol. A mídia internacional e imensas multidões de latinos a inundar as ruas e estádios do País e mais europeus, africanos e asiáticos (quem mais?) descobriram o Brasil. E os mais ligados ao futebol pentacampeão têm no Felipão um dos marcos dessa história. Daí não ser uma grande surpresa o treinador virar objeto de cobiça dos estrangeiros.

É aí que mora a encrenca. Quanto mais Felipão vira o centro das atenções e a seleção passa a ter a obrigação de vencer e convencer, mais aumenta a pressão para cima dos jogadores do escrete. Não basta esmiuçar estratégias do adversário, estudar os pontos fortes e fracos, a quem marcar, explorar. É preciso ter nervos de aço a partir de hoje diante dos empolgados chilenos.

O peso de uma frustração seria insuportável. O que diria o argentino cabeludo e grisalho ao exibir sua foto do Felipão segurando a bandeira argentina? Eis um perdedor, anunciaria a seus amigos. Não. A sua esperança é reencontrar Felipão dia 13 de julho no Maracanã, de preferência ao lado de Lionel Messi.

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