DIÁRIO DA SELEÇÃO: Só falta combinar com Camarões

Felipão não mudou a seleção brasileira para enfrentar Camarões, hoje, no Mané Garrincha. Não trocou as peças, mas mexeu no tabuleiro. A se confirmar o que se viu no último treino em Teresópolis, no sábado, Neymar deixa de ciscar pelo centro e vai para a ponta-esquerda. Oscar assume a função de distribuir o jogo ali da zona central, terreno em que habitam os cérebros de um time. A providência de Felipão sugere que, na ponta-esquerda, Neymar amplia seu campo de ação partindo em diagonal rumo ao gol, ou abrindo um leque de uma ponta a outra atraindo um séquito de marcadores. Bom para Marcelo, ótimo para Oscar e excelente para Hulk. Os três terão mais lucros a prejuízos nessa nova andança de Neymar. Poderão ocupar espaços que vão ficar vazios. Paulinho é outro que deve tirar proveito dessa situação.

Luiz Antônio Prósperi, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2014 | 02h03

Nos últimos dois jogos, o craque jogou centralizado e se viu encaixotado, às vezes com até três marcadores. Seus movimentos não eram contínuos. Seus dribles longos tiveram de ficar mais curtos, facilitando a vida dos marcadores. Mesmo assim, Neymar ainda fez a luz brilhar, não com a intensidade de que dele se espera, mas como uma réstia.

Se era tão fácil assim, tirar Neymar do meio e jogar na ponta-esquerda, por que Felipão não mexeu no tabuleiro contra a Croácia e México? Diante dos croatas, o lateral-direito deles, o Srna, era muito forte, marcava como um leão e descia ao ataque a todo instante. Por isso, Felipão jogou Hulk para puxar tora com Srna.

Contra o México, Hulk não jogou. Na opinião de Felipão, era mais viável usar Ramires aberto na direita com Oscar na esquerda e Neymar centralizado. Não funcionou. As coisas começaram a clarear quando Bernard, no início do segundo tempo, entrou na ponta-direita e Neymar se deslocou do centro para a esquerda, um território que conhece tão bem como o salão nobre da sua casa. Essa situação deve se repetir hoje, com Hulk fazendo a função de Bernard.

Então vamos combinar que Neymar vai encontrar espaços para jogar. Mas o maior beneficiário dessa mexida no tabuleiro é mesmo Oscar. Nessa nova função, vai ter o horizonte à sua frente para pavimentar os caminhos do gol. Vai poder servir Fred, o centroavante do movimento zero. Vai chamar Paulinho a aparecer mais na linha de frente. Vai ainda se revezar com Neymar, quando o jogo assim exigir, na tentativa de ludibriar os camaroneses.

Oscar pode ser ainda aquele jogador invisível que, quando ninguém espera, aparece se equilibrando na linha lateral para investir pela linha de fundo e dali executar os cruzamentos.

Se tudo isso se confirmar no jogo, o Brasil tem boas perspectivas de bater os africanos. É uma seleção brasileira com uma nova cara nesse terceiro jogo da primeira fase e um ensaio importante às oitavas de final que se aproximam. Falta agora combinar com Camarões.

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