Diego diz que se sente um intruso no Flamengo

Atleta admite desgaste e dá indicações de que seu ciclo na Gávea está perto do fim

Bruno Lousada, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2009 | 00h00

No dia em que anunciou seu novo movimento no salto para ter mais chance de medalha na Olimpíada de Londres em 2012, Diego Hypolito desabafou, usando palavras fortes, contra a diretoria do Flamengo. Deixou claro que sua passagem pelo Rubro-Negro está perto do fim, até porque se sente "um intruso" na Gávea, onde treina. Diego não tem mais contrato com o Flamengo desde o início do ano. Na ocasião, o clube chegou a dispensá-lo, alegando falta de dinheiro para bancar seu salário e os de Jade Barbosa e Daniele Hypolito. A situação só foi contornada graças à Prefeitura de Niterói, que se comprometeu a bancar os custos da ginástica rubro-negra, que giram em torno de R$ 80 mil por mês. O dinheiro ainda não foi depositado, pois Diego precisa criar um instituto para ser beneficiado - o Flamengo não pode receber dinheiro público por conta de suas dívidas com a União. O ginasta tem se mantido com a verba do convênio entre a Caixa Econômica e a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) , além do contrato de propaganda com o banco federal, renovado até os Jogos de 2012. Isso, no entanto, pouco diminui a insatisfação. Diego não tolera ouvir que o Flamengo salvou a ginástica. "Quem tem de arcar com as despesas é o próprio clube. Se eles não sabem capitalizar com a ginástica, não é culpa nossa", disse. "Sinto-me desagradável (em treinar aqui). Pareço que estou de favor. É constrangedor passar por isso. Não preciso disso." Ele afirmou que só não deixa o clube com receio da ginástica rubro-negra acabar. "Temos muitas crianças envolvidas."Não faltam propostas para sair. "Trocar de clube é algo muito real." O vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo, João Henrique Areias, afirmou que faz o que pode para manter os ginastas. "Damos moradia, ginásio e ajuda para viagem", alegou. Diego decidiu ousar no salto. Na sexta-feira, dia do seu aniversário (completa 23 anos), vai exibir no Campeonato Brasileiro, em Blumenau, um movimento com grau de dificuldade maior, mas que pode lhe render medalha olímpica. Ele vai usar essa acrobacia no Mundial de Londres, em outubro. "O que mais quero é chegar na Olimpíada com duas chances de conquista", disse ele, bicampeão mundial no solo. Diego deu um prazo de seis meses para seu novo salto - cuja nota máxima é de 16,80 - evoluir. "A meta é atingir 17,20 como nota de partida." Essa marca já foi atingida pelo romeno Marian Dragulesco e pelo chinês Li Xiaopeng.

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