Diego Hypolito 'amarela' de novo

Ginasta brasileiro não atingiu altura suficiente em uma pirueta, caiu e chegou a bater o rosto no chão

AMANDA ROMANELLI , ENVIADA ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h02

Na imponente North Greenwich Arena, os gritos de incentivo a Diego Hypolito surgiam de pontos distintos do ginásio. O brasileiro, dono de quatro medalhas mundiais no solo (duas delas de ouro), posicionou-se à beira do tablado. Mas bastou a série de Diego chegar à segunda passada para que o silêncio desse lugar ao som do lamento: o ginasta não atingiu altura suficiente em uma pirueta e caiu na área de disputa, chegando a bater o rosto no chão. Com o novo fracasso, acabava ali a segunda participação olímpica de Diego.

O ginasta de 26 anos deixou o tablado com os olhos marejados. Após o fim das disputas, não aguentou e foi às lágrimas. Diego sofreu com lesões nos últimos quatro anos. Passou por uma cirurgia muito séria no pé direito, em 2010, e, em março, sofreu uma artroscopia no joelho direito. Antes de competir, havia dito que esse era o ciclo olímpico em que tudo tinha dado errado. "Às vezes nem sei até onde eu vou conseguir ir mais, porque esse fracasso é meu, porque eu simplesmente posso não ter tido forças para chegar aonde queria", disse o brasileiro, desolado, sobre o sonho de ser um medalhista olímpico.

Ao contrário do que aconteceu na Olimpíada de Pequim, Diego não era considerado um dos favoritos ao pódio. "Eu sabia que poderia ser medalhista. Mas minha perna deu uma amolecida na hora do impulso, aí caí de cara. Ela também fraquejou na terceira passada e quase caí de novo. Mais uma vez fracassei. Amarelei, só pode ser isso. Estou vivendo de novo esse pesadelo."

Há quatro anos, vindo do bicampeonato mundial, o brasileiro passou em primeiro na classificação e, na final, caiu na última sequência de sua série. A quase medalha de ouro virou um 6.º lugar. Dessa vez, porém, Diego nem superou a eliminatória. Com a queda e uma atuação insegura no restante da série, somou apenas 13.766 pontos e ficou em 59.º lugar entre os 70 competidores. Só os oito melhores seguem para a disputa de medalha.

Diego terá que esperar mais quatro anos para tentar sua primeira medalha. Nos Jogos do Rio, em 2016, terá 30 dias. E um histórico de graves lesões. "Não vou desistir (da ginástica), mas vai ser difícil. E eu achando que estava preparado para a derrota."

GINÁSTICA MASCULINA

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