Marcos D'Paula/AE
Marcos D'Paula/AE

Diego Hypólito desabafa e ameaça deixar o Flamengo

Ginasta afirma que ainda não recebeu dinheiro e revela mágoa com comportamento dos dirigentes flamenguistas

Bruno Lousada, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2009 | 20h41

No dia em que anunciou seu novo movimento no salto para ter mais chance de medalha na Olimpíada de Londres, em 2012, Diego Hypólito desabafou, usando palavras fortes, principalmente contra a diretoria do Flamengo. Nesta terça-feira, o ginasta deixou claro que sua passagem pelo clube carioca está perto do fim, até porque se sente como um intruso na Gávea, onde treina.

Diego não tem mais contrato com o Flamengo desde o início do ano. Na ocasião, o clube chegou a dispensá-lo, alegando falta de dinheiro para bancar seu salário e os de Jade Barbosa e da irmã Daniele Hypólito. A situação só foi contornada graças à Prefeitura de Niterói, que se comprometeu a bancar os custos da ginástica rubro-negra, que giram em torno de R$ 80 mil por mês.

O dinheiro, no entanto, ainda não foi depositado na conta de Diego. Até porque ele precisa criar um instituto para captar a verba, uma vez que o Flamengo não pode receber dinheiro público por conta de suas dívidas com a União. A solução está próxima, informou o ginasta.

Isso, no entanto, não diminui sua insatisfação. Diego não tolera ouvir que o Flamengo salvou a ginástica. "Quem tem que arcar com as despesas é o próprio clube. Se eles não sabem capitalizar com a ginástica, não é culpa nossa", disse. "Sinto-me desagradável (em treinar aqui). Pareço que estou de favor. É constrangedor passar por isso. Não preciso disso".

Ele afirmou que só não deixa o clube com receio da ginástica rubro-negra acabar. "Temos muitas crianças envolvidas". Não faltam propostas para sair. "Trocar de clube é algo muito real".

O vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo, João Henrique Areias, afirmou que faz o que pode para manter os ginastas. "Damos moradia, ginásio e ajuda para viagem", alegou.

NOVIDADE

Diego decidiu ousar no salto. Na próxima sexta-feira, dia do seu aniversário (completa 23 anos), vai exibir no Campeonato Brasileiro, em Blumenau (SC), um movimento com grau de dificuldade maior, mas que pode lhe render medalha olímpica. Ele vai usar essa acrobacia no Mundial de Londres, em outubro. "O que mais quero é chegar na Olimpíada com duas chances de conquista", disse ele, bicampeão mundial no solo. "Fiquei devendo medalhas (olímpicas) para o Brasil. Vou ver se consigo pagar essa dívida", brincou.

Diego deu um prazo de seis meses para seu novo salto - cuja nota máxima é de 16,80 - evoluir. "A meta é atingir 17,20 como nota de partida". Essa marca já foi atingida pelo romeno Marian Dragulesco e pelo chinês Li Xiaopeng.

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