Ricardo Bufolin/CBG
Ricardo Bufolin/CBG

Diego Hypolito revela ter sofrido assédios de cunho sexual na infância

Medalhista olímpico e bicampeão mundial revela bullying quando era criança e treinava no Flamengo e diz que treinadores tinham conhecimento

O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2018 | 23h19

Um dia depois do programa Fantástico, da TV Globo, revelar que 40 atletas ou ex-atletas da ginástica artística alegaram que foram vítimas de abusos físicos, morais ou sexuais por parte do ex-treinador Fernando de Carvalho Lopes (hoje a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) se manifestou por meio de nota oficial sobre as denúncias), em uma reportagem publicada na noite desta segunda-feira pelo programa Jornal Nacional, da mesma emissora, o medalhista olímpico Diego Hypolito, de 31 anos, revelou ter sofrido bullying de cunho sexual quando era criança e defendia as cores do Flamengo, no Rio de Janeiro.

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De acordo com Hypolito, esses tipos de agressões eram constantes, e tinham o consentimento dos treinadores. Nos abusos, atletas mais velhos e os técnicos forçavam os ginastas mais jovens a “pagar castigos”, como pegar uma pilha com o ânus. Ele afirmou que esse tipo de humilhação era frequente e acontecia inclusive durante a disputa de campeonatos. Ele citou um caso, ocrrido em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, que segundo ele ocorreu quando tinha entre 10 e 11 anos.

“Quando eu vi a matéria hoje (segunda-feira, 30), foi a primeira vez que eu tive coragem de contar pra minha mãe que eles me faziam ficar pelado e pegar, com o ânus, uma pilha... tem a questão da humilhação. E, neste dia, quando aconteceu isso, eu tive ataque epilético e, depois, por ter tido o ataque epilético, eu não consegui fazer a prova toda (...) Não podia ajudar com a mão, você tinha de se agachar, pegar a pilha com o ânus e depois deixar dentro de um tênis, num buraquinho de um tênis. Se a pilha caísse fora, você tinha de voltar e fazer a prova de novo. Eu fiquei muito nervoso com a situação acontecendo, me deu desespero” afirmou Hypolito ao Globoesporte.com.

Ainda de acordo com o atleta, técnicos e os ginastas mais velhos colocavam os garotos dentro de equipamentos de ginástica de madeira, que servem para os atletas treinarem saltos, em um ambiente escuro e asfixiante. “Quando acontecia alguma coisa errada, pegavam a gente e colocavam dentro da caixa de plinto e jogavam magnésio dentro, igual a um caixão. Hoje eu tenho problema pra entrar em avião, que é fechado, elevador, que é fechado. Não consigo entrar em túnel, que eu tenho medo. São todos reflexos do que eu vivi quando eu era criança e que eu jamais imaginei”, disse o medalhista de prata na Olimpíada do Rio e bicampeão mundial no solo.

Diego afirmou que nunca relatou os abusos aos seus pais e decidiu contar apenas após o caso Fernando de Carvalho Lopes, seu ex-treinador, ter se tornado público na noite de domingo. “A gente precisa, para um mundo melhor, expor isso. (...) eu tenho certeza de que vou ser muito julgado por estar contando a verdade, de coisas que aconteceram comigo (...) Espero que, daqui pra frente, nunca mais essas coisas voltem a acontecer.”

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