Dilema são-paulino: como quebrar o encanto santista

Há muito tempo o Brasil não via um time tão encantador quanto o Santos deste início de temporada. Talvez a última equipe a equilibrar um estilo moleque, artístico e bons resultados tenha sido a do próprio alvinegro de 2002 e 2003. Lá se vão sete anos. O atacante Robinho retornou à equipe e os próprios santistas já acham que os saudosistas estão torcendo por eles.

, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

"Se o Santos chegar à final, não digo que será melhor para o futebol brasileiro, mas com certeza estaremos resgatando nossa origem", entende o treinador Dorival Júnior, sem conseguir disfarçar que ele mesmo se encanta com o trabalho de seus comandados. "Quisera eu que tivesse mais equipes que jogassem dessa maneira. Um futebol vistoso, com dinâmica e objetividade. Só que nem sempre o melhor vence."

Esse Santos quase imbatível perdeu apenas duas partidas nesta temporada - para o Mogi Mirim (2 a 1) e o Palmeiras (4 a 3). Não se absteve de marcar pelo menos um gol em nenhuma partida. E mostra o ataque mais eficiente do futebol brasileiro na atualidade: 88 gols em 25 partidas, mais de 3,5 gols de média no ano. Um desafio e tanto para o futebol de pragmatismo que o São Paulo ostenta há pelo menos quatro anos, desde que conquistou o primeiro de três títulos brasileiros consecutivos (2006, 2007 e 2008) sob o comando de Muricy Ramalho.

Antídoto tricolor? Mas Miranda e Alex Silva, os zagueiros que protagonizaram a defesa menos vazada de 2007 e voltam a fazer dupla nesse São Paulo de 2010 garantem que sabem como parar o este Santos incrível. "O ataque deles é como o de qualquer outro bom time que já enfrentamos e conseguimos parar, o do Corinthians, do Palmeiras...", diz Alex Silva. "Se não fossem as infelicidades da última partida (gol contra de Junior Cesar, expulsão de Marlos e falha de Rogério Ceni), teríamos conquistado um melhor resultado, disso não tenho a menor dúvida. Temos condições de pará-los."

Nenhum são-paulino, porém, explica em detalhes como evitar que o ataque santista marque gols. Seria impedindo os laterais de apoiar? "É por aí", diz o técnico Ricardo Gomes. As armas para isso serão duas. Maior marcação com Cléber Santana e Richarlyson e contra-ataque com Cicinho e Jorge Wagner.

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