Dilma destaca evolução do país

Presidente aproveita transmissão para 200 países para abordar questões econômicas, destacando crescimento da classe média

Almir Leite, Bruno Lousada, Sílvio Barsetti e Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2011 | 00h00

Com um discurso que exaltou Pelé e o futebol e os avanços sociais do Brasil nos últimos anos, a presidente Dilma Rousseff cumpriu à risca a estratégia de sua participação no sorteio preliminar dos grupos das Eliminatórias do Mundial de 2014.

Durante o evento realizado ontem na Marina da Glória, a presidente manteve distância calculada de Joseph Blatter, mandatário da Fifa, e principalmente de Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador da Copa (COL). Sentada na primeira fila, Dilma colocou Pelé entre ela e Teixeira.

Desde que assumiu o governo, no início do ano, Dilma Rousseff não teve oportunidade, como a de ontem, para falar a uma plateia que se espalhava por mais de 200 países, extensão para a qual o evento foi transmitido pela TV.

Em seu discurso, iniciado logo após a fala de abertura de Joseph Blatter, a presidente enalteceu a figura de Pelé, nomeado por ela embaixador da Copa no Brasil. Também destacou que o país vai estar bem preparado em 2014, e afirmou que a agenda nacional é composta de outros compromissos. "Em cinco anos, elevamos para a classe média 40 milhões de pessoas", disse.

Nas duas vezes em que mencionou o nome de Pelé, ouviu aplausos de um público basicamente composto de representantes de confederações de futebol do mundo todo. Talvez também por isso as palmas mais acaloradas tenham sido dirigidas para João Havelange, ex-presidente da Fifa e citado no discurso de Joseph Blatter.

Dilma quis deixar uma mensagem de que os brasileiros, em geral, estão voltados também para outras prioridades, além do esporte. "É um povo que ama o futebol, mas também a justiça social, a liberdade e a paz."

Durante os cinco minutos em que ocupou o palco improvisado na Marina da Glória, Dilma citou discretamente os nomes de Blatter e Teixeira. Depois, sentou-se ao lado de Pelé na fila vip do auditório onde se realizou o sorteio.

Formal com as demais autoridades e dirigentes de entidades esportivas, ela pareceu descontraída ao abordar Zagallo, Ronaldo e Neymar, ao final do evento. Posou para fotos ao lado dos três e deu um conselho ao jovem jogador do Santos: disse a ele para cortar o cabelo.

Durante a semana, Dilma deu dois sinais claros de que não gostaria de uma proximidade com Teixeira. A nomeação de Pelé como a maior referência do governo federal na Copa e o local da apresentação do ex-craque no Rio.

Discutiu-se que o espaço indicado seria a Marina da Glória, então tomada pela Fifa e pelo COL. Mas a opção recaiu para o Museu de Arte Moderna, no centro da cidade, um local neutro, longe do crivo das entidades esportivas. O encontro de Pelé com a imprensa foi na sexta-feira.

As negociações do staff de Dilma com o COL para acertar detalhes da presença dela no evento teve alguns momentos de tensão. Isso se deu por causa da intransigência da Fifa em alguns aspectos.

A Presidência da República requereu uma sala exclusiva para Dilma perto do palco. O acesso ao lugar seria controlado somente pelos seguranças do Palácio do Planalto. Isso irritou dirigentes da Fifa, mas o COL contornou a situação.

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