Dinamite ainda tem esperança

Vasco está na lanterna, mas presidente não joga a toalha

Bruno Lousada, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2008 | 00h00

Roberto Dinamite vive um inferno astral. As horas de sono diminuíram e as preocupações aumentaram consideravelmente. O maior ídolo da história do Vasco não quer ver o time do seu coração ser rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. Ainda mais com ele na presidência. Nem em seus piores sonhos imaginou passar por isso. Virou obsessão livrar o time do descenso."Nunca sofri tanto no futebol", declarou Dinamite, que preside o Vasco há três meses. Ele se queixa de uma herança maldita, mas diz que não se arrepende de nada. "Os salários estão em dia. Peguei um clube com a receita já comprometida", alegou ao Estado. Sua maior angústia é não poder mais ajudar o Vasco em campo. Assistir aos jogos da tribuna de honra têm sido sinônimo de desânimo e dor de cabeça. Sua vontade é de trocar a roupa social pelo uniforme do clube e encher os rivais de gols. Depender dos outros o incomoda bastante. "Mas não posso pôr a faca no pescoço de ninguém", comentou. Embora o Vasco seja o lanterna, com 27 pontos em 30 jogos, Dinamite não perde a esperança. Aposta que o time vai reagir nesta reta final. A começar pelo duelo de amanhã, contra o Goiás, no Serra Dourada. "Dá para se safar. A equipe é limitada, mas tem condições de melhorar", afirmou.Motivação é a palavra da moda em São Januário. A ordem é evitar discurso derrotista. O semblante abatido do técnico Renato Gaúcho contrasta com o otimismo de suas previsões. Pelo menos da boca para fora, ele ainda não jogou a toalha e confia que o time dará a volta por cima. "Eu acredito. Em breve, a sorte estará do nosso lado e vamos sair dessa."Renato Gaúcho até abre mão de incentivo financeiro para livrar o Vasco do rebaixamento. Garante que os jogadores também vão agir assim. "Não serão R$ 50 milhões, R$ 50 mil que farão eles correrem mais. Todos têm caráter e já são pagos para isso." Se as opções no elenco são reduzidas e de qualidade duvidosa, o incentivo da torcida é visto como reforço de peso. Apelo não falta para que ela não abandone o time nos 8 jogos restantes. "O vascaíno tem de sair de casa e nos apoiar, como vem fazendo", pediu Renato. "Enquanto essa união existir, tenho certeza que o Vasco vai arrancar." EXPERIÊNCIADepois de cumprir dois jogos de suspensão, o atacante Edmundo é a aposta do Vasco para derrotar o Goiás, amanhã, às 22 horas. Na visão de Renato Gaúcho, a presença do veterano jogador é altamente benéfica para a equipe. Ainda mais numa situação de crise como essa."Estamos no fundo do poço, mas vamos reagir logo", disse o treinador, que já perdeu Leandro Amaral. O artilheiro não se recuperou de lesão no tornozelo esquerdo.

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