Dinheiro público salva ginástica

Dias após anunciar desligamento dos atletas, clube faz parceria com a Prefeitura de Niterói e mantém o grupo

Bruno Lousada, O Estadao de S.Paulo

27 de janeiro de 2009 | 00h00

A diretoria do Flamengo fechou as portas da Gávea para os ginastas Diego Hypólito, Daniele Hypólito, Jade Barbosa e Victor Rosa na semana passada, mas a Prefeitura de Niterói tratou de abri-las ao resolver investir na modalidade. O patrocínio fechado ontem no gabinete do prefeito Jorge Roberto Silveira (PDT) vai render ao clube, nos próximos quatro anos, R$ 80 mil por mês para bancar os custos da ginástica. Depois de se verem obrigados a treinar em outro lugar, sob a alegação de que o Flamengo estava sem dinheiro e não renovaria seus contratos, os atletas respiraram aliviados com a garantia de que não perderão mais o emprego. O prefeito explicou que o investimento do dinheiro público no Flamengo, de quase R$ 1 milhão por ano, servirá principalmente para ampliar um projeto para a ginástica no município, distante 13 quilômetros do Rio. Segundo ele, serão abertas várias escolinhas em Niterói e as crianças que se destacarem passarão a treinar na Gávea. Além disso, Diego, Daniele, Jade e Victor terão de participar de eventos em Niterói e dar clínicas para a garotada. Está praticamente fechado que a camisa dos atletas terá uma logomarca da prefeitura, que deve explorar outros espaços publicitários do clube. "É bom tê-los como exemplo para motivar a meninada ", declarou Jorge Roberto Silveira. "Tenho certeza de que a população de Niterói vai aplaudir essa iniciativa." No entanto, nem tudo está solucionado para os ginastas rubro-negros. "Ainda tenho de acertar (com eles) os salários atrasados do ano passado", afirmou Márcio Braga, num tom de preocupação. "Acabou a crise no Flamengo. Pelo menos até o mês que vem", disse João Henrique Areias, responsável pela reestruturação dos esportes olímpicos do clube. Se a ginástica respira de certa forma aliviada, o mesmo não se pode dizer de outras modalidades do Flamengo. Reserva de Luciano Corrêa nos Jogos Olímpicos de Pequim, o judoca Leonardo Leite vive um drama. Seu contrato com o Flamengo terminou em dezembro e ele não sabe se continuará no clube, que lhe deve seis meses de salário. O atleta tem em seu currículo uma medalha de prata na Copa do Mundo de Judô, realizada em Belo Horizonte, em 2008, e outra de bronze no Pan-Americano Sênior, disputado nos Estados Unidos, em Miami, também no ano passado. "O Flamengo vai ver se renova com ele", avisou Patrícia Amorim, então vice-presidente de esportes olímpicos, horas antes de ser desligada do clube - a diretoria disse que ela se demitiu, mas Patrícia nega. ALEGRIA DE VOLTASatisfeito com o desfecho da história, Diego deixou de lado o discurso crítico exibido na coletiva de sexta-feira, quando despediu-se do clube, e fez suas as palavras do presidente rubro-negro. "Sei que o governo federal não incentiva o Flamengo como deveria."Feliz da vida, Jade Barbosa anunciou que competirá neste ano na trave para não forçar a contusão no punho direito. "Já é um incentivo." Daniele fez questão de dizer a todos que era Flamengo de coração. "Estou muito aliviada e com uma alegria sem tamanho." Sentimento comum aos quatro ginastas.

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