AO VIVO

Confira tudo sobre a Copa do Mundo da Rússia 24 horas por dia

Diogo, do taekwondo, ganha R$ 400,00

Quase nenhum brasileiro sabia que Diogo André Silvestre da Silva seria um dos representantes do País em Atenas. Chegou à capital grega sem status, sem marketing, sem apoio, com R$ 400,00 de remuneração mensal e ainda num esporte ignorado pelo povo, o taekwondo. Mas o paulista de São Sebastião, de 22 anos, teve desempenho surpreendente nesta sexta-feira e ficou bem perto de conquistar um bronze. Não deu, mas o quarto lugar na categoria até 68 kg já significou uma grande vitória. "Foi muito bom", declarou ele, assim que deixou a sala do exame antidoping, reclamando de dores nos pés e no púbis. Na saída, Diogo distribuiu mais autógrafos que em toda a carreira. Agradou ao público pela boa atuação e aos voluntários pela simpatia. Pela primeira vez, foi procurado por jornalistas e aproveitou o momento de fama para desabafar e criticar algumas posições da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD). O motivo principal da reclamação é a falta de pagamento. A entidade dá R$ 400,00 por mês a cada componente da equipe permanente olímpica. Segundo Diogo, havia sido acertado que, desde o início do ano - por se tratar de uma temporada olímpica -, os atletas ganhariam R$ 1.500,00 mensais, o que não está ocorrendo. "Na verdade, seriam R$ 1.500,00 desde março até setembro ou outubro, mas continuamos recebendo só os R$ 400,00", contou o lutador. "Se somarmos os atrasos, a Confederação está devendo R$ 8 mil para cada atleta da equipe olímpica." Yong Min Kim, presidente da CBTKD desde 1987, está com o grupo em Atenas e reconheceu haver alguns atrasos. Disse, apenas, que vem fazendo o possível para cumprir os compromissos financeiros e admitiu que a situação melhorou bastante depois da Lei Piva. Os lutadores, no entanto, vivem situação complicada. Para sobreviver, precisam mesclar os treinamentos com o trabalho. Diogo, por exemplo, dá aula de taekwondo para crianças e cursa Educação Física. Ainda tem alguns patrocinadores, que, no entanto, lhe pagam quantia irrisória. De acordo com o técnico José Palermo Júnior, há a necessidade de maior intercâmbio com Europa e Ásia para que o esporte cresça no Brasil. Ainda engatinha. Nos três meses anteriores aos Jogos, os atletas treinaram na Coréia do Sul, a principal potência da modalidade, ao lado Irã e Taiwan. Para chegar à quarta colocação, Diogo ganhou três lutas (uma por W.O.) e perdeu duas. Na decisão do bronze, foi derrotado pelo fortíssimo sul-coreano Myeong Seob Song por 12 a 7. "Não tive chance contra o coreano, que abriu boa vantagem e me neutralizou", revelou. Diogo, que atualmente vive em Campinas com a família, começou a praticar esporte aos 7 anos por gostar muito de filmes de luta. Os outros dois brasileiros em Atenas são Marcel Wenceslau, da categoria até 58, eliminado na primeira rodada, e Natália Falavigna, categoria acima de 67. Natália, campeã mundial juvenil em 2000, vai competir no domingo.

Agencia Estado,

27 Agosto 2004 | 18h26

Mais conteúdo sobre:
olimpíada 2004 olimpíada

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.