Diogo se vira como pode pelo sonho de disputar o Pan

Sem salário nem clube desde o final do ano passado, Diogo Silva, do tae kwon do, é um batalhador. Bronze na categoria até 68 quilos no Pan de São Domingos, em 2003, e quarto na Olimpíada de Atenas, em 2004, o atleta se vira como pode para representar bem o País no Pan do Rio. Da Confederação Brasileira de Tae Kwon Do, Diogo recebe um salário que prefere chamar de ?ajuda de custo?. O dinheiro, segundo ele, mal dá para cobrir a alimentação. ?Como preciso fazer refeições saudáveis e regradas, tenho de tirar dinheiro do meu bolso?, desabafa, ao lembrar que deixou de receber a bolsa atleta do Comitê Olímpico Brasileiro. ?Eles ainda não renovaram.?Há pouco mais de um ano, largou Campinas, a cidade natal, para treinar em Londrina com o técnico Fernando Madureira e com a campeã mundial Natália Falavigna. Madureira também é técnico da seleção brasileira.No Paraná, Diogo mora com mais cinco atletas em uma casa alugada pelo técnico. Os treinos são realizados na Associação Madureira Tae Kwon Do Clube. Sem patrocínio, sonha com alguém disposto a apoiá-lo. Marcelino Soares de Barros, vice-presidente da confederação da modalidade, reconhece que ?os atletas do tae kwon do recebem pouco pelo tanto que produzem?. Diz que não tem como tirar dinheiro da entidade, mas garante que vai cobrar a renovação da bolsa atleta de Diogo.O dirigente explica que a entidade recebe 1% da verba arrecadada das loterias pela Lei Piva, R$ 458 mil. E todo dinheiro é empregado em viagens internacionais, concentrações, passagens. ?O que sobra, dividimos entre os atletas.?As concentrações e treinos da equipe brasileira são na academia de Marcelino, em Belo Horizonte. Em todas as concentrações até hoje, segundo o dirigente, as despesas foram pagas primeiro de seu bolso.Para o Pan do Rio, Diogo disputará vaga com Marcos Gonçalves - apenas um atleta por categoria representará o País nos Jogos. E está otimista. ?Em São Domingos, eu estava só começando. Hoje, sou considerado favorito.? A expectativa de Diogo é conquistar o ouro no Rio. Depois, vai lutar pela vaga para os Jogos de Pequim, em 2008, no Mundial de Londres, ainda no segundo semestre. Este mês, viaja com a equipe brasileira - mais 15 atletas - para torneios na Alemanha e Holanda. Se garantir a vaga no Pan, Diogo conta que sua família vai pedir à prefeitura de Campinas um ônibus ?emprestado? para que possa acompanhá-lo no Rio.

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