Diretor do comitê sai após denúncia do MPF

Luiz Fernando Corrêa, responsável pela área de segurança dos Jogos, é investigado por superfaturamento

TIAGO ROGERO / RIO , O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2012 | 03h04

O ex-diretor geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, alvo de ação do Ministério Público Federal (MPF) do Distrito Federal por improbidade administrativa, deixou ontem o cargo de diretor de Segurança do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

Em 2007, então secretário nacional de Segurança Pública, Corrêa esteve à frente da contratação, sem licitação, de R$ 170 milhões em equipamentos para o Pan do Rio. Segundo o MPF, houve superfaturamento de, no mínimo, R$ 17,9 milhões.

A assessoria de imprensa do Rio 2016 não soube informar se a decisão de sair partiu de Corrêa ou da entidade. Em nota, informou que "após apresentar sua defesa, elaborada pela Advocacia Geral da União, e confiante numa decisão a seu favor, Corrêa pretende buscar na Justiça a reparação de danos (de imagem, morais e materiais) pelos responsáveis diretos e indiretos".

Ainda de acordo com o Rio 2016, o ex-diretor deixou o cargo porque "tal decisão, considerando os prováveis responsáveis, pode causar desconforto na rotina de suas atribuições na Diretoria de Segurança".

Os produtos foram adquiridos pelo Ministério da Justiça (MJ) para a área de tecnologia em segurança do evento, junto ao consórcio Integração Pan, formado por 11 empresas.

O MPF, que começou a investigação ainda em 2007, solicitou ao Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal que analisasse o valor dos produtos, para saber se era compatível com o mercado.

A maior parte dos R$ 170 milhões em produtos analisados, no entanto, não pôde ser investigada. "A perícia se concentrou em R$ 40 milhões e, após uma avaliação cuidadosa, constatou que eles deveriam ter custado R$ 22 milhões", informou o MPF, que ingressou com a ação em junho de 2010 - um mês após Corrêa assumir o cargo no Rio 2016. O processo, na 8.ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, está em andamento.

Demissão. A ação também é movida contra o delegado Odécio Rodrigues Carneiro, que foi coordenador-geral de tecnologia e informação da PF durante o Pan, e três empresas do consórcio, que tinha como líder a Motorola. Em 11 de janeiro, o delegado pediu demissão do cargo de diretor de logística da secretaria de segurança para grandes eventos do MJ.

A Motorola informou que "está ciente da ação e responderá judicialmente".

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