Diretoria palmeirense critica Marcos, mas não vai puni-lo

Diretoria palmeirense critica Marcos, mas não vai puni-lo

Atitude do goleiro de abandonar treino é reprovada pelo clube e deixa ambiente mais conturbado

Daniel Akstein Batista, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2010 | 00h00

Quando o jogo de hoje em Araraquara começar, entre Rio Branco e Palmeiras, às 19h30, provavelmente as atenções estarão todas centradas em Marcos. Ao fim da partida, as chances de a maioria dos repórteres procurarem o goleiro de 36 anos também são grandes. O camisa 12 palmeirense é um caso raro no futebol. Foge do discurso padrão e responde a todas as perguntas. Apaixonado por seu time, muitas vezes exagera nas declarações e reclama dos companheiros em público. Não poupa ninguém nem é punido por suas ações, mas causa desconforto no clube.

Os últimos anos do Palmeiras têm sido conturbados. E Marcos não vem contribuindo para o clima melhorar, por mais que ele tente. Anteontem, abandonou o treino nervoso, falando palavrões, por causa dos gols que vinha sofrendo. A cobrança começou com as falhas de Diego Souza. Qualquer outro atleta que fizesse o mesmo certamente receberia uma punição. Não, Marcos. "Ele é um jogador que tem uma ligação profunda com o clube, nós precisamos entender", amenizou o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo. "Não tem privilégio nenhum, mas não vamos puni-lo por sair do treino."

Papo com a chefia. Amanhã, a diretoria vai chamar o goleiro para uma conversa. "Ele tem personalidade forte, não há como mudar", disse o vice Gilberto Cipullo. "Mas vamos conversar com o Marcos para ver se ele consegue se controlar mais. Ele teve uma explosão infelizmente na hora errada. O que aconteceu foi gasolina em uma fogueira."

O goleiro foi repreendido outras vezes. Em 2008 e no ano passado levou chamadas duras de Vanderlei Luxemburgo por cobrar publicamente os companheiros. Prometeu que melhoraria, mas não conseguiu.

A reunião que vai ocorrer amanhã com Cipullo e o diretor de futebol Seraphim Del Grande será na mesma linha. "Todos querem dar uma repercussão maior para o que aconteceu no treino de ontem (segunda-feira), mas vamos conversar com o Marcos para saber o que realmente aconteceu", contou Seraphim. "E vamos pedir que ele evite dar declarações que criem controvérsias e causem polêmicas."

Polêmicas são justamente o que mais se encontra no Palestra Itália. Desde o ano passado, pode-se contabilizar a demissão de Luxemburgo e Muricy Ramalho, a briga entre Obina e Maurício (os dois foram dispensados), a perda do título brasileiro e da vaga na atual Libertadores da América. Além da pressão constante da torcida devido a falta de títulos da equipe.

Sem papas na língua. Na tentativa de buscar o melhor, Marcos expõe seus sentimentos. Em um momento diz que a defesa não marca e depois fala que os atacantes não resolvem. Seus quase 20 anos de clube lhe dão moral para cobrar. "Dificilmente outro jogador faria o que ele fez (reclamar e deixar o treino)", reconheceu Cipullo. "E, se fosse outro, certamente a repercussão seria pior. O grupo já sabe como o Marcos é."

Apesar de conhecerem o comportamento do goleiro, nem todos os jogadores aceitam passivamente as suas broncas. Em 2009, foi repreendido pelos companheiros no vestiário, descontentes com as reclamações. Críticas absorvidas, seguiu com o verbo solto. E todos no clube sabem que vai ser impossível mudá-lo.

O TIROTEIO VERBAL DE MARCOS

NO BRASILEIRO

9/6/2008

(Sport 2 x 0 Palmeiras)

"Parece que o título subiu à

cabeça do pessoal. Muitos estão correndo pouco e reclamando demais!"

14/7/2008

(São Paulo 2 x 1 Palmeiras)

"O problema não é só os zagueiros. O Diego Souza e o Valdivia não acompanharam os volantes deles, e isso complica lá atrás."

19/10/2009

(Palmeiras 0 x 2 Flamengo)

"Tinha 2 jogadores para tirar a bola, o Robert e o Wendel. O pessoal acha que tem São Marcos, Santo Antônio... Falha absurda!"

9/12/2010

(ao fim do Brasileiro)

"O Palmeiras tem muito jogador vaidoso, que só pensa no individual e deixa o coletivo de lado. Era impossível ser campeão assim."

NO PAULISTA

4/3/2010

(Palmeiras 1 x 3 Santo André)

"A torcida pode ficar tranquila que o sofrimento dela comigo no gol só vai até o final do ano"

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