Alexander Zemlianichenko|AP
Alexander Zemlianichenko|AP

Dirigente russo escrevia livro sobre doping antes de morte, diz jornal

Kamaev teria denunciado existência de laboratório secreto para forjar resultados de amostras colhidas de atletas da Rússia

Estadão Conteúdo

21 de fevereiro de 2016 | 12h16

Um dos principais dirigentes da Agência Antidoping da Rússia (Rusada), Nikita Kamaev planejava escrever um livro sobre doping no esporte antes de sofrer uma morte repentina, revelou o jornal britânico Sunday Times neste domingo. Kamaev morreu no domingo passado.

A morte gerou suspeitas porque, segundo as fontes oficiais, Kamaev sofreu um enfarte fulminante em casa depois de uma sessão de esqui. Mas, de acordo com o ex-chefe de Kamaev, Ramil Khabriyev, seu subordinado nunca revelou ter problemas cardíacos. Nenhuma outra informação foi revelada pelas autoridades sobre a causa da morte.

Uma semana depois da morte, o jornalista David Walsh revela no diário britânico que Kamaev ofereceu-lhe informações sobre doping em novembro, assim que o escândalo de doping na Rússia foi revelado. De acordo com painel independente da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), a Rusada violou os padrões dos testes antidoping de forma a não punir competidores russos do atletismo.

Pela denúncia, havia um laboratório secreto, ainda da época da União Soviética, que servia para forjar os resultados dos testes. O laboratório, segundo o jornalista britânico, teria sido confirmado por Kamaev na conversa que tiveram em novembro.

Com estas informações, o ex-dirigente russo pretendia escrever um livro, contando com a ajuda do jornalista. Segundo o britânico, Kamaev ofereceu "documentos recentes, de fontes confidenciais, sobre o desenvolvimento de drogas e remédios para melhorar a performance esportiva". David Walsh não confirmou se recebeu estes documentos.

Segundo o jornalista, o plano de escrever o livro em parceria com o russo não foi adiante por causa do cargo que ele ocupou na Rusada e da suposta influência do governo russo na agência. Walsh temia que as informações fornecidas por Kamaev não teriam credibilidade suficiente.

Kamaev deixou a Rusada em dezembro do ano passado, na esteira das fortes denúncias contra a entidade. Pela investigação, a agência não apenas foi conivente com casos de doping como atuou diretamente para esconder os casos e trabalhou com a proteção e o incentivo de autoridades do governo.

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