Dirigente inglês acusa Teixeira de tentar vender voto

Em CPI na Inglaterra, cartola diz que brasileiro pediu propina para apoiar candidatura inglesa para a Copa do Mundo de 2018

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2011 | 00h00

Um dos principais nomes da administração do futebol na Europa acusa o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, de ter pedido propinas em troca de voto na escolha das sedes da Copa de 2018 e 2022. A denúncia foi feita à uma CPI criada no parlamento inglês por Lorde Triesman, ex-político, ex-presidente da Associação Inglesa de Futebol e da candidatura de Londres para a Copa.

Segundo o cartola, Teixeira ainda alertou que a negociação de uma suposta troca de favores teria de ocorrer diretamente com ele, e não com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Lula não é nada", teria dito.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, prometeu investigar e até suspender da entidade os envolvidos, caso as evidências sejam apresentadas.

A CPI inglesa revelou como pelo menos oito cartolas dos 24 membros do Comitê Executivo da Fifa teriam pedido presentes, dinheiro, títulos e favores em troca de votos. Dois já haviam sido suspensos pela entidade.

Apesar dos repetidos escândalos, essa é a primeira vez que o nome de Teixeira faz parte oficialmente de uma investigação. Triesman admitiu que foi procurar pelo brasileiro em uma partida entre a seleção contra a Inglaterra, no Catar, no dia 14 de novembro de 2009. O inglês pediu o apoio à candidatura para 2018 e, para se aproximar do brasileiro, lembrou que havia sido secretário no Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, responsável justamente pela relação com a América Latina. O britânico elogiou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma insinuação de que gostaria de ter acesso ao governo.

Segundo o depoimento de Triesman, Teixeira respondeu de forma que o surpreendeu. "Lula não é nada. Venha e me diga o que você tem para mim", teria dito Teixeira por meio de um intérprete. "Diga-me o que você pode fazer por mim quando vier me ver", teria completado.

Triesman admitiu que a frase era mais vaga que a que outros usaram. Mas apontou esse comportamento de Teixeira como um exemplo de que os membros da Fifa exigiam contrapartidas para votar por uma candidatura.

Na eleição, Teixeira teria votado pela derrota da Espanha para 2018 (venceu a Rússia), em esquema que envolvia voto casado para permitir que o Catar vencesse em 2022. O acordo era considerado ilegal, mas a Fifa optou por não investigar a denúncia.

Segundo ele, o presidente da Confederação Caribenha e vice-presidente da Fifa, Jack Warner, chegou a pedir 2,5 milhões de libras e prometeu que usaria o dinheiro para erguer uma escola. "Nunca pedi nada a nenhum inglês", rebateu Warner.

O caso que mais chama a atenção entre os políticos ingleses foi o suposto pedido do paraguaio Nicolas Leoz para que fosse transformado em nobre. Leoz é presidente vitalício da Conmebol e chegou a ser citado em um processo de corrupção envolvendo a Fifa na Suíça. Leoz teria pedido para ser reconhecido como lorde pela rainha, em troca do apoio.

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