Dirigentes acreditam que alguma punição virá

Comando do clube acha que a Conmebol está pressionada para manter a pena que obriga time a jogar sem torcida

VÍTOR MARQUES , GONÇALO JÚNIOR , RAPHAEL RAMOS, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2013 | 02h06

O Corinthians espera a decisão final da Conmebol sobre o recurso contra a punição aplicada pela entidade. Por causa da morte de Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, na quarta-feira, em Oruro, uma medida cautelar obriga o clube a jogar todos os jogos desta edição da Taça Libertadores como mandante com portões fechados.

Até o início da noite de ontem, o departamento jurídico do clube não tinha recebido nenhum comunicado da Conmebol dizendo se manteria ou não a punição. A diretoria marcou uma reunião hoje à tarde para decidir o que fazer caso a Conmebol não aceite o recurso do clube.

"No recurso, não se questiona a autoria do crime, o que se questiona é a falta de fundamento jurídico na medida cautelar (da Conmebol). Não tem base legal", avaliou Luiz Felipe Santoro, advogado do clube.

A decisão de rever a medida cautelar está nas mãos da Câmara de Apelação da Conmebol, presidida pelo equatoriano Guilhermo Saltos. A punição foi imposta pelo Tribunal Disciplinar da entidade.

"Antes que se puna o clube, queremos que apurem os fatos", disse Santoro. A Conmebol não estipulou uma data para o julgamento. Por isso o clube considera injusta a punição via medida cautelar.

Segundo o advogado, hoje é o prazo final para que a entidade se pronuncie. O clube ainda tem esperança de que a partida desta quarta-feira contra o Millonarios no Pacaembu seja disputada com portões abertos.

Praticamente todos os ingressos para o encontro, assim como os bilhetes para os outros dois jogos em casa pela primeira fase, já tinham sido vendidos antecipadamente. Com a pena, a venda está suspensa.

Dirigentes do clube têm opiniões diversas sobre a punição, embora todos eles consideram a decisão da Conmebol dura demais. A maioria considera quase impossível que o clube escape de algum tipo de sanção, como prevê o artigo 11, que fala: "Associações e clubes podem ser punidos por comportamento inadequado da torcida". O uso de sinalizadores ou fogos de artifício é citado no artigo como exemplo de "comportamento inadequado."

Seria considerada até uma "vitória", de acordo com dirigentes, o clube conseguir que a pena seja reduzida e restrita aos três jogos da primeira fase, pelo menos até que seja marcado um julgamento. Por outro lado, é visão consensual no clube de que a entidade está pressionada para manter a pena.

Além de jogar com portões fechados, a punição da Conmebol impôs que o clube também não tivesse direito a ingressos quando jogar como visitante durante toda a competição.

O recurso que o clube pleiteia, diz Santoro, tem por objetivo apenas reverter essa medida cautelar. Um relatório de cerca de dez páginas foi enviado para a Câmara de Apelação da Conmebol.

A defesa completa está sendo redigida e será apresentada no julgamento. Um argumento é que o clube não está sendo julgado pela morte de Kevin Beltrán, mas sim pelo comportamento inadequado de um torcedor que usou artefato proibido.

"E nos outros jogos em que torcedores acendem sinalizadores? Ou em jogo que atiram pilha (no gramado). Não há punição?", questionou Santoro. "A morte foi lamentável, ninguém quer minimizar isso, mas o Corinthians não pode ser prejudicado."

Exclusão. Segundo dirigentes do clube, está descartado um possível abandono do Corinthians da competição, caso a punição seja mantida. Mas a notícia que circulou no fim de semana tinha como objetivo pressionar a Conmebol com a possibilidade de que o clube saísse do torneio.

O problema é que essa atitude provocaria consequências drásticas, como por exemplo o banimento por três anos de qualquer competição da Conmebol. "Quem iria assumir esse ônus?", perguntou um dirigente.

O presidente da CBF, José Maria Marin, que teve uma agenda cheia de compromissos ontem no Rio, disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que "antes de tudo lamenta profundamente o corrido no jogo entre Corinthians e San Jose".

Ele acrescentou que vem acompanhando o caso e que o Corinthians, como filiado, "tem o apoio da CBF naquilo que compete à entidade". / COLABOROU SÍLVIO BARSETTI

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