Fabio Motta/Estadão
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Dirigentes de clubes olímpicos formam associação e querem espaço no COB

Em evento na sede do Flamengo, na Gávea, cartolas pedem vagas no Conselho de Administração da entidade

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2017 | 15h46

Insatisfeitos com o que consideram falta de representatividade junto ao Comitê Olímpico do Brasil (COB), clubes olímpicos do País estão se unindo para formar uma associação e buscar mais espaço nas decisões ligadas ao esporte de alto rendimento. A intenção é garantir pelo menos duas cadeiras no novo Conselho de Administração criado pelo COB e participar diretamente da divisão dos recursos da Lei Agnelo-Piva, até hoje feita exclusivamente pelo comitê.

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Apesar de garantirem que não buscam uma "atitude beligerante", dirigentes das entidades exigem maior participação e afirmam que o Brasil "tem confederação rica e clube tendo que mandar atletas embora".

Nesta quarta-feira, representantes de cinco clubes olímpicos se reuniram na sede do Flamengo, na Gávea, zona sul do Rio, para anunciar a criação da nova associação - ainda sem nome definido. No total, o grupo já conta com dez entidades e diz que está aberta "a todos os clubes que trabalham com atletas olímpicos".

O objetivo é claro: os clubes exigem as duas vagas no Conselho de Administração do COB destinadas a "membros independentes" - são 15 assentos no total -, e, a partir disso, participar diretamente das decisões do comitê, principalmente no que diz respeito à destinação de recursos.

O conselho foi criado na reforma do estatuto do COB, que começou a ser revisado em setembro e foi aprovado definitivamente na quarta-feira da semana passada. O documento foi elaborado em 40 dias, prazo considerado exíguo pelos clubes. Eles alegam ainda falta de diálogo.

"Eu, pelo menos, não fui convidado, nem ninguém nesta mesa foi convidado pra conversar sobre o estatuto. Não fomos", afirmou Alexandre Póvoa, vice-presidente de Esportes Olímpicos do Flamengo. Ao lado dele, estavam representantes do Pinheiros e da Hebraica, ambos de São Paulo, do Grêmio Náutico União (RS) e do Minas Tênis Clube (MG).

Os dirigentes negaram que o interesse esteja simplesmente ligado à destinação de recursos, mas deixaram claro que querem participar ativamente da discussão sobre o destino dos recursos da Lei Agnelo-Piva. "Queremos discutir, queremos discutir. Não no intuito de ter mais dinheiro para o clube, mas no intuito de garantir que o dinheiro chegue ao atleta", disse Póvoa.

"Com todo respeito às confederações e federações, mas confederação não forma ninguém. Quem forma atleta é clube", sustentou Póvoa. "O que não pode é fazer com que o dinheiro encalhe na confederação, no COB, ter confederação rica e o clube tendo que mandar atletas embora."

O dirigente rubro-negro também mandou um recado aos atletas. "Eles têm que não só exercer o papel deles em todas as comissões, o que é importante, como também entender que clube é mais importante que confederação. Muito atleta não entende isso. Por uma questão obviamente de interesse pessoal, prefere estar bem com a confederação do que estar com o clube."

CRÍTICAS

Para os representantes dos clubes, o Brasil "perdeu o foco" na gestão esportiva. Teve crítica também ao governo federal. "A falta de uma política nacional de esportes é mais do que evidente. Nunca tivemos uma política de esporte, sempre tivemos política de governo. Infelizmente, a gente está vendo isso, não só na área de esporte, mas em todas", considerou Sergio Bruno Zech Coelho, presidente do conselho deliberativo do Minas Tênis Clube. "Os últimos ministros de Esporte que passaram por aquela pasta, não sei se algum deles botou algum calção na vida para fazer esporte. E é difícil a gente defender metas ou políticas se você não tem um conceito do que é importante."

Para Paulo Prado, vice-presidente de Esportes do Grêmio Náutico União, "falta foco" no esporte olímpico brasileiro. "O que nós estamos discutindo é o foco. O foco foi totalmente invertido, como o foco de todas as coisas neste País. Os conceitos de sociedade e cidadania, tudo está invertido neste País", disse.

Segundo Prado, "a situação do COB nos envergonha muito internacionalmente". Vale lembrar que o comitê teve seu ex-presidente, Carlos Arthur Nuzman, preso, e está suspenso pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

"O sistema nacional de esporte, hoje, principalmente o esporte olímpico, está falido, ruiu", afirmou o dirigente gaúcho. "Esse sistema é corrupto, destrutivo. Não funciona mais. O que está aí nós não queremos mais."

VEJA A NOTA OFICIAL DO COB

Primeiramente, o Comitê Olímpico do Brasil reconhece que os clubes exercem papel fundamental na formação e desenvolvimento dos nossos atletas. Os clubes estão inseridos no Sistema Nacional de Desporto e contam, inclusive, com uma entidade que os representa, no caso o Comitê Brasileiro de Clubes, que por sua vez recebe recursos diretamente da lei.

No último ciclo olímpico o diálogo com os clubes foi intensificado em função dos Jogos Olímpicos Rio 2016, com o apoio direto do COB para a preparação de dezenas de atletas olímpicos, de forma a otimizar os projetos estabelecidos com as Confederações e os próprios clubes.

Um dos avanços recentes significativos do COB é a possibilidade de revisão de seu estatuto a cada dois anos. Assim, as reivindicações que venham a ser feitas pelos clubes, através do Comitê Brasileiro de Clubes, poderão ser analisadas em 2019.

Sobre a presença de representantes dos clubes como membros independentes no Conselho de Administração do COB, o parágrafo 6º do Artigo 40 prevê: “Para fins de definição, considera-se independente aquele que não mantém ou manteve nos últimos 2 (dois) anos qualquer vínculo econômico ou jurídico com entidades do Sistema Nacional do Desporto, bem como seus parentes, afins ou consanguíneos, até o segundo grau”.

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