Laurent_Gillieron/Efe
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Dirigentes do Comitê Olímpico Internacional escapam de suspensão no caso ISL

Lamine Diack e Issa Hayatou poderão continuar exercendo normalmente as suas atividades na entidade

AE-AP, Agência Estado

08 de dezembro de 2011 | 17h11

LAUSANNE - O Comitê Olímpico Internacional (COI) divulgou nesta quinta-feira o veredicto do julgamento do Comitê de Ética sobre o envolvimento de dois de seus membros no caso ISL, o mesmo que ameaçava o dirigente brasileiro João Havelange. E ambos escaparam de suspensão. O senegalês Lamine Diack, presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf), recebeu apenas uma advertência, enquanto o camaronês Issa Hayatou, presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), sofreu uma reprimenda.

Os dois dirigentes africanos foram condenados por terem recebido dinheiro da ISL, agência de marketing esportivo que vendia os direitos de TV da Fifa. A acusação também envolvia João Havelange, mas, diante da ameaça até de expulsão do COI, ele pediu na semana passada a sua renúncia ao cargo de membro da entidade, posto que ocupou nos últimos 48 anos - com isso, o caso contra o dirigente brasileiro, que também foi presidente da Fifa de 1974 a 1998, acabou sendo arquivado no Comitê de Ética.

No caso dos dois africanos, a punição foi mais branda porque eles não eram membros do COI quando receberam o dinheiro da ISL ainda na década de 90 - a empresa faliu em 2001. Assim, Lamine Diack e Issa Hayatou, que negaram ter havido corrupção, poderão continuar exercendo normalmente as suas atividades na entidade. "O COI provou que respeita suas próprias regras e que é transparente", afirmou o presidente do COI, o belga Jacques Rogge, ao comentar sobre a condenação dos dirigentes.

No COI desde 2001, Issa Hayatou admitiu ter recebido US$ 20 mil da ISL em 1995, quando era vice-presidente da Fifa. Segundo ele, o dinheiro foi dado para ajudar na festa do 40º aniversário da CAF. Lamine Diack, por sua vez, virou membro da entidade em 1999. E também reconheceu que a ISL lhe deu cerca de US$ 6 mil quando a sua casa no Senegal pegou fogo em 1993, mas negou que tenha sido suborno. "O pagamento foi de caráter pessoal, feito por pessoas que eram minhas amigas", defendeu-se.

O caso ISL já foi julgado pela Justiça suíça em 2008, mas, por um acordo judicial que envolveu a devolução do dinheiro recebido, os nomes dos dirigentes envolvidos foi mantido em sigilo. Segundo a rede britânica BBC, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador da Copa de 2014, Ricardo Teixeira, estaria entre os envolvidos. A Fifa, inclusive, promete divulgar quem teve relação com esse escândalo, mas ainda trabalha para conseguir a liberação judicial.

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